Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

Top 5 Dia dos Namorados

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Um pouco tardiamente, é verdade, mas atualizo aqui contando sobre minha colaboração no Cinema de Buteco com um Top 5 especialíssimo de Dia dos Namorados. Confiram aqui e palpitem. Os filmes que indiquei são excelentes em qualquer época do ano, então vale a pena alugá-los pro fim-de-semana! Não deixem de ver por si próprios!

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Written by Priscila Armani

quarta-feira, junho 16, 2010 at 3:23 pm

Publicado em Cinerama, Dica de DVD

Cinco filmes para assistir em tempos chuvosos e frios

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Faz frio e chove em BH. O que me deu a ideia deste post. Caso esteja assim na sua cidade também, aproveite as dicas e curta um bom filme! Nem todos são lançamentos. São apenas sugestões. Para saber mais sobre os filmes, consulte a locadora de sua preferência.

Cinco filmes para assistir em tempos chuvosos e frios:

1. Para quem gosta de ação

Bastardos Inglórios

Esse filme de Quentin Tarantino não tem tanto sangue ou diversão quanto Kill Bill e Cães de Aluguel. Ainda assim vale a pena ser visto, pelas atuações de Brad Pitt como um impiedoso inimigo dos nazistas e Christoph Waltz como um “caçador de judeus” bem tragicômico e ordinário. O papel lhe rendeu, inclusive, o Oscar 2010 de Melhor Ator Coadjuvante.

2. Para quem quer pensar um pouco

Guerra ao Terror

Grande vencedor do Oscar 2010, com seis estatuetas, esse filme vale a pena ser conferido tanto por suas atuações quanto por seu enredo, extremamente emocionante. Destaque para a forma de filmar de Bigelow, extremamente ágil e que dita o ritmo da narrativa. É uma obra imperdível, para cinéfilos ou não.

3. Para os românticos chorões

Para aqueles que gostam de se emocionar com belas histórias de amor tenho duas sugestões. A primeira é Hanami – Cerejeiras em Flor, um dos filmes mais bonitos que já vi em toda a minha vida e com o qual chorei praticamente durante toda a projeção. Nele, o amor além da vida é o tema, em toda a sua beleza. Imperdível e inesquecível.

Mas, como não tenho certeza se Hanami está em DVD em todo o país, recomendo também O Mistério da Libélula, filme mais antigo, mas igualmente bonito, no qual um homem (Kevin Costner) é assombrado pela tristeza devido à perda recente de sua mulher. Mal sabe ele as surpresas que a vida ainda lhe reserva. Seguindo sua intuição ele terá uma grande alegria.

4. Para quem gosta de terror

Atividade Paranormal

Fugindo dos clichês comuns em filmes de terror, que normalmente envolvem partes do corpo que foram decaptadas e muito sangue, este filme usa apenas nossos medos mais primários para nos assustar. Nada é exposto. Todo o terror está em nossa própria mente. O que torna as coisas levemente interessantes.

*Dica*: não assista sozinho. Esteja acompanhado.

5. Para as crianças e toda a família


Esse DVD está disponível apenas em algumas cidades. Para quem não teve a oportunidade de vê-lo em 3D vale a pena alugá-lo mesmo assim e se divertir com a perspectiva colorida e ambientalmente correta de um outro mundo que Cameron nos oferece. Apesar de fraco do ponto de vista de enredo, a obra é diversão garantida para a criançada. É um filme palatável, para todas as idades.

*Dica*: Se Avatar não estiver disponível na sua locadora, recomendo UP – Altas Aventuras ou A Era do Gelo 3. Também são excelentes pedidas.

Written by Priscila Armani

segunda-feira, maio 10, 2010 at 4:43 pm

Publicado em Cinerama, Dica de DVD

O público é levado diretamente ao front por Guerra ao Terror

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Apesar de não ter entrado em cartaz nos cinemas brasileiros e ter sido lançado diretamente em DVD em abril de 2009 pela Imagem Filmes, que subestimou a obra, Guerra ao Terror é um dos melhores filmes desse ano. Prova disso foram suas premiações no Oscar: melhor filme e direção, além de outras quatro.

O filme também arrebatou muitos dos mais importantes prêmios do cinema mundial. Praticamente uma unanimidade, foi premiado em festivais norte-americanos e internacionais de renome, como o de Veneza, em diversas categorias. Entre atuação, direção e roteiro são mais de 30 premiações e indicações. Recentemente, venceu também o Critics Choice Awards. Sobre o Globo de Ouro, sem comentários. Não é preciso pesquisar muito para saber que esse prêmio não representa absolutamente nada pra história do cinema.

Mas, sem mais demora, cabe aqui explicitar porque o filme vale a pena ser visto. Quando a narrativa começa, faltam apenas 38 dias para que uma equipe de soldados norte-americanos de um esquadrão anti-bombas retorne a seu país de origem. Eles estão cumprindo serviço no Iraque. E, naturalmente, contam os dias até poderem voltar pra casa.

Seu cotidiano é feito de tensão à flor da pele. Cada um dos personagens da equipe possui um perfil psicológico denso, que Kathryn Bigelow desenvolve sem precisar de muitos diálogos. Sargento JT Sanborn (Anthony Mackie) aparece em seus primeiros minutos de filme já nos comovendo, simplesmente com sua expressão de medo e seu olhar de tristeza. Já o especialista militar Owen Eldridge (Brian Geraghty) carrega sobre suas costas, o tempo todo, o peso da culpa, juntamente com a mochila. O fardo é muito pesado e facilmente qualquer um de nós consegue se identificar com ele. É o retrato, puro e simples, do que sentem a maior parte dos soldados quando estão no front.

Sim, Kathryn se esforça para nos levar até o campo de batalha com eles. Uma luta urbana, na qual os iraquianos são, ao mesmo tempo, heróis e vilões. Para nos dar a sensação de que estamos junto com os soldados, vivenciando o seu cotidiano instável, temos um uso muito inteligente da câmera: as imagens são tremidas, nervosas, fazendo com que o aspecto documental predomine durante a maior parte do filme.

A diretora, detalhista, também sabe explorar os pequenos momentos cinematográficos que fazem subir a pressão do espectador. A beleza de uma explosão e de uma morte em slow motion, um gato que corre com a pata quebrada, o suor autêntico demais pra ser fingido, um cartucho que cai na terra anunciando a morte, uma pipa que flutua tranquila e solitária no céu depois de uma explosão, o nojo de descobrir um corpo-bomba.

Isso sem falar na areia, nas moscas, no suco escasso, compartilhado em meio ao tórrido calor do deserto, e numa chuveirada com traje militar, armas e tudo, cuja intenção é lavar mais do que a sujeira do corpo. Diga-se de passagem que este último é um dos momentos mais bonitos e memoráveis de Guerra ao Terror.

Outro recurso interessante de câmera bastante explorado por Kathryn se trata do uso de variados ângulos em uma mesma cena. Praticamente em todas as sequências do filme, especialmente nas mais tensas, observamos em ação, pelo menos, quatro câmeras. É a imagem de longe, de perto, focalizando um capacete, usando diferentes primeiros planos de uma mesma conversa. O público tem a sensação de ser onisciente e conseguir visualizar, ao mesmo tempo, tudo que acontece. E o trabalho é tão caprichado que em nenhum momento esse movimento todo nos tira do universo criado pelo filme.

Por fim, merece um destaque à parte a atuação de Jeremy Renner como William James, desarmador de bombas que se expõe aos riscos mais inacreditáveis durante o filme todo e que é o perfeito exemplo de como a guerra mexe com o psicológico de um ser humano. (Aliás, todos os três personagens são exemplos disso.) Atrevido, independente, sem nada a perder, o líder da equipe parece ser indestrutível, inabalável, mas ele é também, no fundo, apenas mais um jovem assustado. Ainda assim, o destino do personagem segue uma lógica própria e não nos espantamos com o que lhe acontece quando sobem os créditos finais.

Guerra Ao Terror mostrou a Hollywood que não são precisos os melhores efeitos especiais do mundo para se merecer o prêmio de Melhor Filme. O que isso significará para o futuro da história do cinema? Difícil dizer. Vamos aguardar.

 

Written by Priscila Armani

quarta-feira, março 10, 2010 at 12:19 pm

James Cameron inventa um novo mundo em Avatar

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Casal protagonista de Avatar

James Cameron demorou 15 anos para conseguir realizar Avatar, seu novo filme. O esforço do cineasta criador do Exterminador do Futuro e realizador bem sucedido de Titanic é realmente de se admirar. Desde o romance meloso entre Jack e Rose ele tem trabalhado incansavelmente nesse épico colorido, especialmente em torno da tecnologia que o tornaria possível. Isso fez com que criasse um filme que será divisor de águas em termos de inovações.

Para que o filme fosse feito totalmente em 3D, o diretor recriou, em parceria com a Sony, essa tecnologia, para que não houvesse nenhum tipo de desconforto para o espectador ao assistir (antes o 3D provocava tonturas no público quando usado durante muito tempo) e Cameron pudesse ter controle total sobre o que estava sendo filmado. Além disso, os atores tiveram suas imagens criadas em CGI a partir do uso de uma espécie de malha, composta por pequenos pontos refletores que capturaram seus movimentos faciais e corporais com microcâmeras próximas da face e 140 câmeras simultâneas que os registraram em ação. A partir desses movimentos, os animadores criaram as imagens dos personagens.

O diretor também criou uma língua para os humanóides que habitam Pandora, os Na’Vi. Para isso, contou com a ajuda de linguistas como Paul Frommer, criador do idioma klingon, de Star Trek. Também foram formulados uma gramática, sintaxe, morfologia e todos os elementos de uma linguagem. Isso significa que a língua dos Na’Vi, de fato, existe. E independe do filme.

As plantas e animais do ecossistema de Pandora foram todos elaborados por uma equipe de botânicos e biólogos, que se basearam em diversas espécies aqui da Terra, mas foram aperfeiçoados, para que pertencessem ao novo mundo. À noite, a floresta se mostra biofluorescente, com plantas que emitem luzes multicoloridas. Os animais são todos muito coloridos e lembram bastante dinossauros, por seu porte e formas. São facilmente identificáveis principalmente os “pterodáctilos melhorados”, nos quais os Na’Vi montam para voar.

O enredo consiste numa história futurista, que, como muitas outras, prevê que os humanos destruirão a Terra e sairão rumo a outras galáxias para prosseguir destruindo a natureza de outros ecossistemas. No caso, o local é Pandora, uma lua que está na órbita de um planeta gasoso chamado Poliphemus, em Alfa Centauro. No solo dessa lua há um mineral cuja exploração vale milhões de dólares. Então uma série de mercenários provindos do exército, marinha e aeronáutica são contratados para ajudar na expulsão de uma raça humanóide primitiva chamada Na’vi dos locais mais propícios para a exploração desse mineral.

Dentre esses mercenários está Jake Sully (Sam Worthington), um fuzileiro naval paraplégico. Ele é chamado a participar do projeto Avatar, em Pandora, para cobrir a ausência de seu falecido irmão. Esse projeto consiste no uso de corpos híbridos semelhantes aos do Na’Vi, para que se infiltrar e aprender os costumes deles. Jake se infiltra acidentalmente em um dos clãs, o Omaticaya, inicialmente interessado em obter informações.

A história é desafiadora e coloca em cheque uma série de fatores históricos da colonização. Impossível evitar comparações com o que aconteceu com os Incas, Maias e Astecas, especialmente quando se vê a destruição que os humanos querem fazer naqueles ambientes que para os Na’Vi é considerado sagrado. Também não podemos nos esquecer que escolas para ensinar língua e costumes a nativos foram frequentes, inclusive, no Brasil, quando da colonização portuguesa. Da mesma forma que os Na’Vi, nossos índios conviviam em harmonia com a natureza e cultuavam seus deuses. E também veio o “homem branco” e destruiu tudo. A mensagem que Cameron nos deixa é de que a história, inevitavelmente, se repete e nada indica que agiríamos diferente na busca por outros planetas.

O filme vem sendo bastante comparado com Star Wars e é fácil entender porque. As duas histórias são completamente distintas visto que Avatar tem clara temática ambiental e é mais um filme que se encaixa na categoria de colocar a indústria e o devorador lucro capitalista como vilões. Mas em ambos os épicos podemos perceber a valorização das imensas paisagens, das belezas naturais, das grandes cenas de luta no ar e na terra, e das monstruosas naves, que preenchem toda a tela. Claro que o meio ambiente é, no filme de Cameron, um personagem a mais, e, à serviço do enredo, é muito mais valorizado e colorido. Mas nem por isso as gigantescas máquinas perdem seu lugar. Há de se ressaltar também que há uma expectativa de que Avatar venha a se tornar para a história do cinema o que Star Wars foi.

Mas, apesar de tanta tecnologia e uma valorização visual sem precedentes, esta obra ainda possui alguns pontos fracos. Seu enredo, a princípio bastante interessante, não deixa de cair em velhos clichês. Lembro-me de ouvir falar que Cameron concebeu Titanic para ser um filme que atingisse todos os públicos: havia ação para os homens e romance para as mulheres. Esse filme tem algo a mais: atinge em cheio às crianças. Os Na’Vi se tornaram brinquedos bonitinhos e rentáveis. Além disso, Avatar já tem vídeo-game para Playstation 3, XBOX 360, PC, Wii e até Iphone. Muito lucrativo para os estúdios, pouco desafiador para quem assiste.

Isso porque o filme possui atuações fracas inexplicáveis por parte dos personagens “humanos”. Jake Sully é uma lástima, bastante inexpressivo, enquanto seu avatar é excelente ator! O mesmo acontece com a veterana Sigourney Weaver, que faz a Dra Augustine e cujo avatar lhe é fisicamente muito semelhante. Mas se a construção dos avatares vem das expressões físicas e faciais dos humanos, como explicar que estes na tela tenham um desempenho aquém de suas representações virtuais? Cabe até mesmo pensar se isso não foi algo intencional, com uma clara valorização dos Na’Vi ante os seres humanos. Merece destaque o ator Stephen Lang como o Coronel Miles Quaritch, uma das melhores atuações “humanas” de Avatar.

Outro fato a se lamentar é que, assim como em outros filmes, a temática ambiental apresentada não deixa a sala de cinema com o público. As pessoas se emocionam com o enredo, ficam do lado dos Na’Vi e acreditam na importância de se valorizar o meio ambiente. Mas não reciclam o próprio lixo de suas casas. A mudança de atitude pode ser algo que está sendo encorajado por diversas obras recentes de Hollywood. Porém, construir novos paradigmas é algo que vai muito além de entretenimento. Infelizmente, o público ainda acredita que a destruição da natureza do nosso planeta é algo distante, que eles vêem apenas na ficção.

Todos esses contrapontos de forma alguma desvalorizam o esforço de Cameron e sua equipe. Avatar é, de qualquer maneira, um divisor de águas na forma de se fazer cinema. Tecnicamente falando. O que cada espectador tira do enredo apresentado varia muito, vai da consciência de cada um. E quanto a isso, não há nada que a tecnologia possa fazer.

Written by Priscila Armani

segunda-feira, janeiro 11, 2010 at 4:24 pm

Publicado em Cinerama

Alain Resnais brinca com o espectador em As Ervas Daninhas

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Em sua nova obra, As Ervas Daninhas, Alain Resnais permanece fiel à Nouvelle Vague, movimento contestador de cineastas que foi especialmente forte nos anos 60 e cuja principal característica permanece sendo a busca por filmes que fujam da corriqueira linearidade narrativa. O diretor ainda é o mesmo de Hiroshima, Meu Amor e  O Ano passado em Marienbad (este último sendo completamente ininteligível). Seu objetivo é a poesia visual, a forma em detrimento do conteúdo, a exploração de possibilidades de imagem. Com este filme, ele nos relembra que uma poesia precisa ser sentida, não entendida.

E assim é este longa, sem princípio meio ou fim bem definidos. Nos primeiros minutos de filme, há a expetativa de um enredo comum, quando somos apresentados à história de Marguerite Muir (Sabine Azéma), uma mulher que vai comprar sapatos e é assaltada na saída da loja. Depois, ele nos mostra Georges Palet (André Dussollier) encontrando a carteira com os documentos dela. Coloca um pouco de suspense, uma trilha dramática e constrói para o público duas percepções de personagens bem definidas. Não demora muito mais do que 30 minutos para destruir tudo.

Merece destaque o papel que a repetição merece no filme. O diretor coloca várias vezes, sistematicamente, de tempos em tempos, uma série de imagens, especialmente a de ervas daninhas. Elas nascem no asfalto, no solo, chega a haver um campo cheio delas! E também temos flashes da bolsa flutuando no ar, sendo levada pelo assaltante; da carteira sendo encontrada, os fluxos de pensamentos em tela dividida e a imagem de Palet andando para trás, de costas, em direção a um cinema onde assistiu a um filme, como se ele estivesse voltando no tempo. Essas cenas funcionam de forma “curinga”: em certos momentos “empurram” a trama pra frente, em outros mostram as passagens do tempo.

Outro elemento importante é o narrador, cuja fala se mistura frequentemente ao fluxo de pensamento dos personagens. No caso de Palet, por exemplo, a voz dele chega a se misturar com a do personagem, especialmente no início, quando ainda desconhecemos qual voz tem o ator. Daria para pensar que o filme todo está sendo narrado pelo protagonista, apenas tendo como base essas primeiras cenas. A narração é bastante excessiva em algumas partes, chegando a incomodar. Felizmente, mais pro final da história, ela diminui gradualmente. Sua função é de nos informar sobre certas peculiaridades do enredo. Mas ela também serve como mais uma ferramenta do diretor para nos enganar.

Resnais também usa a forma de apresentação dos personagens para criar expectativa. Ele nos apresenta Marguerite mostrando apenas seu pés e depois a mostrando de costas. Só muito depois de já estarmos familiarizados com ela, vemos seu rosto, brevemente, enquanto toma banho. O mesmo acontece com Palet, mas demoramos menos a ver seu rosto. Peculiar observar que, quando ele vê as fotos de Marguerite nos documentos, nós também somos privados da visão dos retratos. Ou seja, também não temos acesso à primeira imagem que o protagonista tem da personagem.

O diretor de fotografia usa bastante o movimento de câmera para ajudar Resnais a construir seu poema visual: plongéé, contra plongéé, travelling e o primeiríssimo plano marcam presença em diversos momentos. Também percebe-se que, em algumas ocasiões, o cenário foi composto de uma forma que evidencia o cuidado da obra com a beleza do que se está na tela. Muitos objetos preenchem o quadro, especialmente sapatos, relógios e pianos, criando um efeito muito peculiar. A casa de Marguerite também é uma obra prima visual, com mobília e quadros que mostram a afeição da personagem pelas cores e formas imprecisas. Quase no final do filme, somos surpreendidos com belas imagens de paisagens, cuja função é mais estética que narrativa.

A trilha sonora também é um destaque a parte, mas negativo porque em muitos momentos é excessivamente alta e se sobressai nas cenas, sendo muito mais chamativa do que a ação que se está passando. A ideia, ao que parece, é sermos chamados a perceber essa música, como que um lembrete de que estamos assistindo a uma obra de ficção. Essa ideia fica ainda mais evidenciada nos momentos em que toca o conhecido tema da 20th Century Fox, uma música curta, mas que nos é tão conhecida que é impossível levar qualquer tentativa da narrativa de ser levada a sério depois que ela toca várias vezes. Há uma parte em que, inclusive, toca essa trilha e a palavra Fim pisca na tela ostensivamente. Uma brincadeira com o espectador.

Sim, o objetivo de Resnais é nos chamar para brincar com ele, mas mesmo assim não deixamos de encontrar seriedade em partes de sua mensagem. É um poema que explora aquilo que é incompreensivo, mas também deixa um leve entendimento, uma pequena luz, especialmente quanto ao romance que acontece na obra. É um amor louco, semelhante a uma erva daninha, que nasceu em local e momento indesejado pelos dois personagens. Talvez mais indesejado por Marguerite, claro, o que torna as coisas ainda mais confusas. Tudo são apenas hipóteses. Quando se trata desse diretor, nunca se sabe.

Written by Priscila Armani

sábado, dezembro 26, 2009 at 5:17 pm

Tokyo!

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Sim, este blog está às moscas e o motivo principal são os inúmeros afazeres pessoais. Nesses últimos três meses minha vida pessoal virou de pernas pro ar e ainda estou me adaptando, quem quiser saber porque, dá uma fuçada aqui.

Desde que fiz o curso do Pablo Villaça tenho feito pro Mondo BHZ uma série de críticas de cinema que, se ainda não forem totalmente “críticas”, pelo menos creio que estejam indo pelo caminho certo. Gostaria de compartilhar a mais recente delas com vocês (ainda tem alguém aí que me lê?) e quero um feedback. Dêem uma olhada abaixo. O texto refere-se a Tokyo!, filme dirigido por Michel Gondry, Leos Carax e Bong Joon-Ho e também pode ser lido no site.

Três cidades em uma só são reveladas em Tôkyô!

Uma cidade, três perspectivas. Assim nos é colocada a proposta de Tôkyô!, filme cujo conteúdo dialogaria, de maneiras diversas, com a capital japonesa. Isso acontece, inevitavelmente. Mas o que Michel Gondry, Leos Carax e Bong Joon-ho acabaram fazendo foi ir um pouco além disso.

O primeiro filme, dirigido por Gondry, foi batizado curiosamente de Interior Design e é uma adaptação da história título da HQ Cecil e Jordan em New York, lançada por Gabrielle Bell em 2008. Bell é uma cartunista americana pouco conhecida aqui no Brasil, mas seu estilo surrealista e melancólico dialoga bem com o trabalho do diretor francês, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original como co-roteirista do filme Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. No seu currículo, também estão os filmes Rebobine, Por Favor e A Natureza Quase Humana. Quando dirigia vídeo-clipes, seus trabalhos mais relevantes foram para os artistas Björk, Beck e The White Stripes.

Sem esse panorama que desenhei, ficaria impossível para qualquer espectador entender a história que se passa em Interior Design, onde a sensação de estranheza não nos deixa quando ele acaba. Hiroko (Ayako Fujitani) e Akira (Ryo Kase) são um jovem casal que chega em Tóquio com esperanças de melhorar de vida. Ele é um cineasta, que quer fazer seu filme dar certo. Ela é uma jovem sem vocação, que não sabe o que quer da vida. Eles são acolhidos temporariamente num apartamento pequeno pela amiga Akemi (Ayumi Ito), até que arrumem um lugar para viverem.

Gondry usa um longo plano sequência para nos contar da angústia da personagem em não saber qual é sua vocação. Outro momento interessante do filme é quando ela procura um apartamento e, em meio a sua busca, acha um quarto em estilo cubículo, que é focalizado do lado de fora pela câmera, junto com tantos outros milhares, mostrando como a precariedade de sua situação é compartilhada por tantos outros japoneses. Quando seu carro é guinchado e vemos muitos outros carros no pátio da Polícia, entendemos que esta é uma Tóquio em crise. Apesar de tudo, a solidariedade ainda é percebida em pequenas atitudes, especialmente a do ajudante do depósito.

Mas o diálogo com a cidade acaba não progredindo muito além disso. Inevitável pensar que o desfecho deste pequeno filme poderia ter sido outro, levando em consideração a proposta inicial. Não há como o espectador desavisado não se espantar com um tão gritante Deus ex machina. Mas isso é para quem não conhece a história da HQ. Para quem sabe como termina, está tudo muito bem e Gondry conseguiu ser bastante fiel ao trabalho de Bell.

Já em Merde, Leos Carax usa o caos para dialogar com a capital japonesa. O diretor do polêmico Pola X, que foi apenas ator nos últimos três longa-metragens, retorna para detrás das câmeras contando a história da criatura que se auto intitula Merde (Denis Lavant), um homem bizarro, que gosta de andar na rua agredindo as pessoas. No plano sequência inicial do filme, vemos a criatura arrancando plantas, espantando as pessoas, comendo dinheiro e até mesmo lambendo o braço de uma adolescente. Ele vive nos esgotos e lá encontra achados inusitados como, por exemplo, um tanque de guerra e armamentos. Interessante observar como, através desses achados, o cineasta dialoga de maneira sutil com a história recente japonesa, suas guerras e seus conflitos.

Outra parte curiosa da história é quando acontece um julgamento em três línguas e a tela se parte em três, às vezes quatro pedaços. Provavelmente intencionando dar destaque simultâneo aos três personagens que falam, o diretor se vale desse interessante ferramenta, que não é constante, mas vai se alterando de acordo com o desenrolar dos acontecimentos. Em certo ponto, só fica um quadrado em tela, que depois se desdobra em dois, três. A quantidade depende de como evolui a narrativa.

Ironicamente, esse segundo pedaço do filme é o mais caótico (há até mesmo um médico anão, o cúmulo do bizarro), mas chega a ter mais sentido, em sua própria lógica, do que a primeira história. E nisso incluo até mesmo o barulho da gaivota, que acompanha constantemente Merde quando sai do bueiro de esgoto.

Finalizando, temos o mais poético dos três filmes, Shaking Tokyo, dirigido por Bong Joon-ho, cujo principal sucesso de sua curta carreira foi O Hospedeiro, filme de 2006 que é estrelado por uma criatura no melhor estilo “monstro do Lago Ness”. Essa última história mostra o cotidiano de um hikikomori, um homem isolado em sua casa há 10 anos, que não tem contato com ninguém a não ser pelo telefone, quando pede comida; e pelas cartas do pai, que lhe manda dinheiro. Seu cotidiano é pontuado pelas refeições, por suas idas ao banheiro e por sua leitura diária. O homem estoca tudo que precisa: água, papel higiênico e até mesmo as caixas das pizzas que come aos sábados. Completamente isolado, ele sequer faz contato visual com os entregadores.

O diretor usa, com sutileza, a fotografia como um personagem a mais da história. Há um significativo contra-plongée do sol, para mostrar o sufocamento do homem pela vida social. Também há bastante sol dentro da casa, no qual o protagonista presta atenção e gosta de admirar. E, num momento dramático, a luz é estourada propositalmente, para nos mostrar o estranhamento, medo e incômodo que ele está sentindo. Ao final, nos dois primeiríssimos planos, novamente vem a luz do sol, dessa vez traduzindo, de maneira poética, um novo começo.

Merece ser citado também como se prestou atenção nos mínimos detalhes da concepção do protagonista. Sem que seja preciso dizer mais do que o necessário sobre seu isolamento, ele nos é apresentado através de significativas imagens como a casa completamente tomada pelo mato, o tênis com aranhas, a bicicleta enferrujada e, especialmente, as inúmeras pilhas de alimentos, garrafas d’água, livros e papéis higiênicos, que ocupam praticamente o interior da residência inteiro.

Pode-se considerar o filme Tôkyô!, assim como a própria cidade, uma pluralidade de perspectivas, de sentimentos. São três filmes em um, que se ligam entre si pela análise da metrópole através de seus habitantes. E, indo além do diálogo proposto, os cineastas conseguem construir, por meio de suas narrativas, um novo significado, partindo do particular para o universal. Cada uma das histórias começa nessa capital. E acabam indo muito além da imaginação humana.

Written by Priscila Armani

sexta-feira, dezembro 18, 2009 at 7:24 pm

Luluzinhacamp em BH!

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Foi ótimo o Luluzinhacamp aqui em Belo Horizonte. Conheci uma galera de gente legal e diferente. O encontro foi no último sábado à tarde, no restaurante Mosteiro. Curti o encontro, apesar de ter ido lá morrendo de vergonha.

Sou uma pessoa ultra tímida. Então acabei não sendo das maaaais falantes. Queria ter falado a respeito dos sites, mas, ao contrário do que pensei, o encontros não teve assuntos específicos ou programação, como os de São Paulo e Rio sempre tem. A gente chegou lá, sentou e conversou. Tipo ir pro boteco e jogar conversa fora.

Isso deixou as coisas um pouco complexas pra mim, já que não houve uma apresentação de quem era cada uma. E um montão de mulher falando ao mesmo tempo! Guardei o nome de algumas, outras agora conheço de rosto e não sei o nome e ainda tem aquelas com as quais não tive como conversar, porque estavam longe. Foram umas 15 pessoas! Muito acima das minhas expectativas!

Gostei muito, apesar de ter querido participar um pouco mais. E ganhei dois brindes fan-tás-ti-cos! Um é o livro da Milla Mathias, “Quem disse que você não tem nada para vestir?” e o outro foi uma camisa muito fashion, com o trabalho do Andy Warhol que ilustra a capa do Velvet Underground, a famosa banana, que coloquei aí no topo do post. Apesar da Amanda ter me dado o bolo, os meus dois presentes tem a ver com moda. Quem diria?

Então agora as garotas estão falando de fazer um amigo oculto e se encontrarem novamente. Acho ótimo! Espero ter outra oportunidade de rever essas meninas legais e, quem sabe, conseguir me articular com todo mundo! E falar dos sites, dos problemas ambientais que me incomodam, conseguir anotar algumas coisas, trocar receitas… seria bacana demais! 🙂

Written by Priscila Armani

segunda-feira, novembro 23, 2009 at 11:59 am