Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

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O Colorido Artificialmente e os artificiais

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Sexta passada (31/07) fui com meu noivo no show de uma banda independente de BH, o Colorido Artificialmente. Para quem se interessar pelo som dos caras, clica aqui no MySpace deles. Mas o assunto principal deste post não é o show.

O assunto é o que aconteceu durante o show. Chegamos lá cedo, por volta das 19h30. Naturalmente que o show não começou no horário marcado. Eram umas 21hs quando começou.

Ficamos então eu, meu noivo e um amigo observando o ambiente, conversando sobre a viagem que ele tinha feito à França (nosso amigo é chique!), gripe suína, Beatles e tudo o mais. Enquanto o papo rolava, eu observava as pessoas, porque adoro ficar olhando as coisas e reparando. 

Acabei reparando numa coisa bem triste. Para ser sincera, bem decepcionante. As pessoas estão se deixando pasteurizar. Então ficando iguais, entediadas, entediantes, vazias.

Nesse show, acho que eu e mais duas garotas fomos as únicas a nos arriscar a usar o cabelo natural, encaracolado. A moda agora é cabelo liso e curto, quadradinho. Aquelas cabeças de bonequinha, sabe?

O tênis padrão era o All Star. Grande parte delas estava usando short jeans, com meias vermelhas e pretas por baixo (porque estava frio). E algumas com bom senso usavam calças jeans.

As sem bom senso algum usavam salto alto, daquele bem alto mesmo, e blusas sensuais, provocantes, peladas. Posso dizer que algumas se davam ao luxo de usar um pano cortado mesmo. Eu jamais chamaria aquilo de blusa. E eu reforço: tava frio! Tinha uma garota lá que estava, realmente, como uma prostituta de luxo. Duvido que sequer soubesse do que se tratava o show…

Antes que me joguem pedras dizendo que estou sendo preconceituosa, julgando livro pela capa ou sendo quadrada, deixem-me dizer que todo mundo tem direito de se vestir como quiser. Isso é óbvio. Da mesma forma que a Lady Gaga tem direito de sair da piscina usando um maiô preto e uma máscara de carnaval feita de ladrilho brilhante, com dois dogues alemães do lado.   

Mas poxa vida, estamos falando dos nossos futuros eleitores! Do pessoal que vai lá e elege qualquer merda por não ter tempo de navegar pela internet para ler as propostas de governo! Em compensação, acham super importante se reunir na praça da Savassi, todos com cabelos negros curtos e com franjas de lado, usando mochilas da Pucca e falando besteiras sobre como Lost está chegando ao final. Jesus!

Não consigo descrever pra vocês o meu desconforto em saber que sou uma das poucas pessoas preocupadas com o futuro do mundo, quem será meu presidente em 2010, se teremos coleta seletiva em maior escala, usar menos água, enfim, em deixar alguma coisa pouca que seja para quando meus filhos nascerem.

A medida que vou ficando mais velha, tenho a certeza de que os jovens estão pouco preocupados com as coisas que realmente importam. Mas porque será isso? Mãe e pai sempre educam. Filho segue se quiser.  Então não acho que a culpa seja dos pais. Muitos deles não estão nem aí. Mas muitos estão, sim, se importando. 

Quando é que a ficha vai realmente cair? Quando o pessoal vai passar a se preocupar mais com a cabeça que com as aparências? Ninguém pensa em onde estará daqui a 10 anos?

E quando as pessoas vão passar a se vestir melhor, principalmente algumas mulheres, que tem se portado de uma forma que faria suas avós corarem de vergonha? Não sei.

Só sei que, um belo dia desses, vai ter uma galera tomando um susto danado, como aquele que a gente sente quando assiste “Onde os Fracos Não tem Vez” e o Javier Bardem leva uma tremenda duma porrada de um carro do seu lado. E eu vou andar nas ruas e ouvir “Caralho!”. E vou pensar: “finalmente!”.

Nota:  Não vinculo o tipo de público descrito acima ao Colorido Artificialmente. Fui em um show só. Não tenho como saber o tipo de público deles indo a apenas um show. Esse público é o do show que fui.

Nota 2:  Cada um tem direito a ter a sua própria opinião sobre este polêmico assunto. Inclusive eu. Não venham me jogar pedras. Não estou julgando ninguém. Se a pessoa quer ser emo, hippie ou até mesmo cortar os pulsos, o problema é dela. E eu posso muito bem achar isso bom ou ruim. Minha opinião não vai impedir ninguém de fazer o que quiser. E nem deve.

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Written by Priscila Armani

domingo, agosto 2, 2009 at 11:21 pm

Vicky Cristina Barcelona

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Eu poderia usar muitos adjetivos (pejorativos) para falar do novo filme de Woody Allen, “Vicky Cristina Barcelona“. Vou tentar evitar ao máximo isso, porque não quero influenciar você, que está me lendo. Mas fato é que você não deve ir ao cinema esperando encontrá-lo nesse filme.

Sim, Woody não está na telinha e, para ser bem honesta, só lembro-me que o filme é dele durante alguns momentos da projeção. Em “Vicky Cristina”, ele usa uma série de clichês para montar um quebra-cabeça bem engendrado, que envolve três mulheres e um pintor. Os personagens são bem caricaturados. E o filme é irritante, extremamente irritante (pronto! não resisti e adjetivei!).

Tudo começa quando Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) resolvem ir para Barcelona. As duas são estereotipadas no primeiro segundo do filme. Vicky é morena e mais “séria”, noiva e com os “pés no chão”. Cristina é loira, não tem “medo de se arriscar no amor” e, na minha concepção, julgada como a “vagabunda”, que vai fácil para a cama alheia.

Quando Woody nos mostra esse panorama e insere o latin lover Juan Antonio (personagem de Javier Bardem, ultra clichê) junto às duas garotas, a gente se assusta um pouco. O pintor é bem estereotipado. Chega bancando o machão e, de cara, propõe um fim de semana numa cidade chamada Oviedo, querendo transar com as duas de uma vez. Não me parece nada crível quando elas aceitam a proposta, até porque Vicky mostra muita resistência a isso. Comercialmente falando, os espectadores já tiveram acesso ao conteúdo do filme e fotos, então todo mundo fica na expectativa de que role alguma putaria.

E ela rola várias vezes durante o filme, mas aí o estilo de Woody se faz presente. De maneira bastante diferente, o diretor não mostra corpos nus e suados fazendo amor loucamente. Ele apenas mostra os rostos dos personagens. Ao invés de valorizar formas físicas e ofegantes, como é tão comum, aí sim ele foge do clichê. As cenas de sexo são sempre sugeridas, entrecortadas, focadas em pontos, mas sem revelar praticamente nada do corpo dos personagens. O diretor parece querer dizer que sexo não tem nada a ver com o que ele quer mostrar e não possui relevância para a história.

Mas afinal o que Woody quis mostrar? O filme dá uma volta de 360°, ou seja, não sai do lugar. As duas personagens terminam exatamente como começaram e isso não surpreende. Destaque para a atuação de Penélope Cruz, que faz uma Maria Elena perfeita: enlouquecida, controladora, estranha e passional, a mulher transmite sexo pelos poros. E dá um pouco de vida e graça ao enredo, que, do contrário, não teria como funcionar.

Destaque negativo para a trilha sonora, não ela em sua totalidade, mas a porcaria da música irritante que toca no começo do filme e no final, como para sinalizar que o ciclo se fechou. É a mesma música que toca nesse trailer que postei aí em cima. É um porre, canta uma mulher de vozinha fina, que fica o tempo todo dizendo “Barcelonaaa…”. Hor-rí-vel.

Injusto dizer que “Vicky Cristina Barcelona” é uma porcaria. Definitivamente os caras vão adorar, já que tem duas mocinhas lindas se “pegando” (mais um clichê ultra óbvio). Mas é um embróglio difícil de entender. Sem objetivo, Woody parece dizer que Hollywood não tem nada mais a oferecer, que a vida não é feita só de finais felizes e que as coisas nunca são tão simples quanto os pipocões gostam de nos passar.

É um filme muito próximo da realidade e por isso tem seus méritos. Totalmente crível, mostra com que facilidade uma pessoa pode se ferrar na vida, mesmo tendo tudo que o dinheiro pode comprar. E se isso não é veracidade, então não sei o que é.

Se eu fosse dar uma nota, daria cinco. Mas não se deixem influenciar por mim. Assistam e dêem uma força ao “bom velhinho” Woody. Ele já teve seus dias de glória.

Written by Priscila Armani

quinta-feira, novembro 20, 2008 at 9:52 am