Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

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Diploma: só eu sei o valor que o meu tem

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Revolta é pouco para descrever como estou me sentindo com essa decisão irresponsável do STF de anular a necessidade de diploma de curso superior para exercer o Jornalismo.

Essa decisão só demonstra como, para a Justiça, o profissional de imprensa não vale nada. De repente, o nosso mercado de trabalho, já tão precário, se tornou inexistente. Agora, qualquer pessoa pode concorrer conosco a uma vaga de trabalho.

Sim, porque qualquer imbecil pode ser jornalista, não é verdade? Basta escrever bem. Numa época em que a Internet nos dá um milhão de possibilidades, todo mundo pode emitir uma opinião e ser ouvido e aplaudido. Qualquer bobagem ganha o status de notícia. Ética passa a ser um item dispensável.

De repente, não há mais diferença entre o que sai no Kibe Louco e o que sai na Folha de São Paulo. Será um “salve-se quem puder” entre as pessoas que quiserem se informar e ainda precisarem de notícias que tenham um mínino de embasamento.

Na verdade, as pessoas não precisam mais saber de nada. Por isso o diploma sequer é necessário. Para que qualificar quem vai falar se ninguém mais está disposto a ouvir? Além do mercado estar saturado de profissionais (diplomados ou não), o formato cansou as pessoas. Agora, tudo precisa ser entretenimento.

No futuro, o Youtube estará formando opiniões. O senso crítico será desnecessário. Estamos caminhando rumo a uma era em que receberemos, confortavelmente, em nossos sofás, o que pensar e como agir. Trabalharemos, teremos lazer no fim de semana, e receberemos passivamente tudo que nos for imposto, sem sequer pensar a respeito.

Discernimento será reservado a poucos, especialmente a aqueles que estarão no poder. O povo será massa de manobra. As empresas lucrarão. E os recursos naturais serão exauridos.

Quando eu decidi, em 2002, que iria ser jornalista e entrei numa faculdade particular, eu queria fazer algo para reverter esse quadro. Eu não sabia o que, mas eu queria fazer alguma coisa. Foi isso que me motivou a ficar, com muito sacrifício meu e da minha família, 4 anos lá.

Para mim, não importa o que o STF diga. O meu diploma tem valor. Só eu sei o valor que o meu diploma tem. E, apesar dos pesares, ainda estou disposta a fazer alguma coisa para contornar essa situação tão degradante para a qual nosso país está caminhando.

‘O que você fará?’, o leitor deve estar se perguntando. Bem, ainda não tenho certeza. Comecei escrevendo este texto. Talvez isso já seja um primeiro passo.

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Written by Priscila Armani

quinta-feira, junho 18, 2009 at 3:56 pm

Empresa de limpeza vence licitação do STF para prestar serviços de jornalista

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Insatisfeita com o resultado do Pregão Presencial número 16/2009 do Supremo Tribunal Federal, a Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom) vai contestar a decisão. A vencedora da licitação, que tinha como objeto a contratação de “empresa especializada para prestação de serviços de jornalista, categoria repórter-fotográfico e diagramador” foi uma empresa que presta serviços de limpeza.

Carlos Henrique Carvalho, Secretário-Executivo da Abracom, conta que a entidade encaminhou um ofício para a Comissão de Licitações do STF numa tentativa, em primeira abordagem, de que o órgão não entregasse a conta para uma empresa de limpeza. “Mas recebemos uma resposta do Secretário de administração e finanças do órgão, Washington Ribeiro da Silva, dizendo que a licitação permite contratar mão de obra”, diz. O resultado do Pregão Presencial no 16/2009 do STF, divulgado no dia 11 de março de 2009, teve como vencedora a empresa Assemp Limpeza e Conservação de Imóveis Ltda.

A Abracom questionará o pregão do STF junto ao Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União. “Entendemos que se o objetivo da licitação era contratar serviços especializados, as atividades de jornalismo, assessoria de imprensa e relações públicas são regulamentadas por leis específicas e o mercado dispões de centenas de empresas especializadas na prestação desses serviços”, registra Carvalho. “Mas se o objetivo da licitação era contratar mão de obra, aí pode haver contradição com o Estatuto do Funcionário Público, que prevê a realização de concurso público”, completa.

Nesta terça-feira (14/04) a Executiva da Fenaj analisou formas de colaborar com a iniciativa da Abracom.

Fonte de informações: Fenaj.

Written by Priscila Armani

quinta-feira, abril 16, 2009 at 1:16 pm