Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

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Jovens são cogitados para manter jornal apenas online

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A cidade americana de Seattle, que fica no estado de Washington, nos EUA, pode ser a primeira grande metrópole do Tio Sam a ganhar um diário apenas em versão online.

O Seattle Post-Intelligencer, controlado pelo grupo Hearst, anunciou em janeiro que decidiria em 60 dias se iria vender o jornal, tranformá-lo em apenas online ou se simplesmente declararia falência. Aparentemente, a segunda alternativa ganhou.

Alguns jornalistas que trabalham lá tem sido abordados com propostas de trabalharem apenas na web. Os profissionais mais jovens são os procurados pela empresa, especialmente aqueles que possuem blogs e experiência em cobertura em tempo real. O grupo Hearst amargou no ano passado prejuízo de US$ 14 milhões com o jornal.

Caso você não se lembre, esse grupo Hearst é o daquele empresário, que foi “homenageado” por Orson Welles em Cidadão Kane

Fonte de Informações: Blue Bus.

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Written by Priscila Armani

sexta-feira, março 6, 2009 at 6:31 pm

Dica de DVD: Cidadão Kane

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MBDCIKA EC019
Quando eu disse aqui que não gostei de “Vicky Cristina Barcelona”, choveram comentários me jogando pedra. Agora, estou correndo este risco novamente, ao postar a Dica de DVD de hoje.

A dica é “Cidadão Kane“, obra prima dirigida por Orson Welles e que figura em inúmeras listas especializadas em cinema como a melhor produção já feita.

Bom, eu discordo e aí é que devem começar a chover as pedras em mim. Não há dúvidas de que o filme é excepcional, assim como o próprio Welles, mas minha opinião pessoal é de que o 1º lugar deve ser ocupado por “Sindicato de Ladrões“. Mas listas são sempre polêmicas. Nos concentremos na dica clássica de hoje.

“Cidadão Kane” foi, acima de tudo, a desgraça de Welles. Ele tinha 25 anos quando dirigiu, produziu, protagonizou e foi co-roteirista do filme. Era um mito, com o toque de Midas, cujas iniciativas no teatro e no rádio lhe haviam rendido fama e prestígio. Em 1939, transmitiu “A Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells, num show radiofônico que fez as pessoas entrarem em pânico nas ruas. O fato, que poderia ter lhe proporcionado uns bons anos na cadeia, acabou rendendo um contrato invejável com a produtora RKO.

De temperamento terrível e extremamente protetor de seus trabalhos, Welles exigiu carta branca da RKO e assim obteve. O orçamento foi generoso. E o tema a ser tratado, picante. Já em sua primeira produção, Welles mirou alto, no magnata das comunicações William Randolph Hearst.

Hearst era muito parecido com Assis Chateaubriand. Ou melhor, Chatô era parecido com Hearst. Líder de um império norte-americano constituído por 30 jornais e 20 revistas de abrangência nacional, ele era rico, poderoso e extremamente temido, especialmente em Hollywood. Nunca época em que a TV dava seus primeiros passos e a Web ainda não existia, um jornal poderia destruir a vida e a carreira de uma pessoa. Por isso, o filme de Welles quase não saiu.

“Cidadão Kane” conta a história do repórter Thompson (Joseph Cotten), na sua saga de reconstituir a trajetória do empresário Charles Foster Kane (Welles), buscando decifrar o significado de sua última palavra no leito de morte: “rosebud”. O jornalista acredita estar nesta palavra a chave para o significado da vida atribulada de Kane.

Thompson entrevista diversas pessoas, buscando o significado da palavra, e acaba mostrando ao espectador toda a trajetória de vida do personagem, cheia de similaridades com a vida real de Hearst. Kane construiu um palácio extravagante na Flórida, Hearst tinha um em San Simeon; o personagem teve um caso com uma cantora sem talento, Susan Alexander (Dorothy Comingore),  lembrando o que Hearst teve com a jovem atriz Marion Davies. O magnata da vida real comprou o estúdio Cosmopolitan Pictures para promover o estrelato de Davies, enquanto Kane comprou para Susan um teatro. Porém Hearst nasceu rico. Kane era filho de uma família humilde.

Muito se especula que “Cidadão Kane”, apesar de mostrar muito da vida de Hearst, acaba sendo um reflexo da própria personalidade de Welles. A cena em que Kane destrói o quarto de Susan, logo após ela ir embora de seu palácio, é mencionada por aqueles que conheciam o diretor como sendo uma das que mais refletia a personalidade dele, além de ser uma das melhores cenas do filme.

Revolucionário, “Cidadão Kane” faz uso de técnicas inovadoras como os flashbacks, sombras, longas sequências sem cortes, além de mostrar tomadas de baixo para cima, distorcer imagens para aumentar a carga dramática e usar iluminação pouco convencional para a época. Infelizmente foi um fracasso no seu lançamento, ganhando notoriedade apenas a partir do momento em que começou a ser mencionado nas listas especializadas como o melhor filme de todos os tempos.

Graças à ira que a produção provocou em Hearst, Welles nunca mais conseguiu fazer um filme de tanta notoriedade, tendo dificuldade em conseguir orçamentos e apoio. Ele dirigiu outros 37 filmes depois de “Cidadão Kane” que jamais repetiriam o sucesso do primeiro. O próprio Welles admitiu recentemente que foi um erro viver persistindo no cinema, quando poderia ter se dedicado a outras artes e ter sido melhor aceito. Sua obra prima o “queimou” para sempre, digamos assim, mas também foi a sua consagração, escrevendo o nome dele na história do cinema.

Fontes consultadas para este texto: Webcine, IMDB, UOL Educação.

Written by Priscila Armani

quarta-feira, janeiro 28, 2009 at 1:05 pm