Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

Posts Tagged ‘jornalismo

Carta aberta aos estudantes de Jornalismo

leave a comment »

Escrita por Apóllo Natali em 14/7/2009

Estudantes de Jornalismo, o diploma continua obrigatório, sim, para os vossos corações!

Tragam um curso de Jornalismo para as vossas vidas!

Esforçai-vos por fazer bons cursos. Não falteis às aulas, anotai tudo em classe, fazei todos os trabalhos com amor, não canseis os professores com barulho, interrupções, desrespeito.

Apaixonados por jornalismo, apenas olhai e passai pelos que dizem: para ser jornalista basta saber contar histórias. Perdoai-os! Não sabem o que falam! Seus olhos jamais contemplaram essa luz, nem seus ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em seus corações o fogo dessa paixão.

Este eterno enamorado do jornalismo que vos fala está com 73 anos e depois de quase quatro décadas atuando na imprensa escrita, concluiu a Faculdade em 2007, sem faltar um dia sequer, durante os quatro anos. Sempre é tempo de transitar pelas matérias fascinantes do curso de Comunicação, usufruir de seus clarões, ver o mundo com nitidez. Vale qualquer sacrifício: nos quatro anos de curso, entre idas e vindas, de casa às salas de aula, subi e desci, de dois em dois, duas vezes o total de 190.880 degraus, no metrô e no prédio da faculdade, lá sem usar elevador. Levantei às 5 horas da manhã 720 vezes durante os 4 anos. Caminhei mais de 5 quilômetros por dia, ou 3.600 quilômetros ao todo, o mesmo que ir a pé ao Rio de Janeiro oito vezes.

Justiceira da humanidade

Abraçai, pois, com felicidade, a profissão bendita, campo, sim, para as grandes batalhas de espírito e inteligência, e sem deixar de vos conscientizar das manipulações das consciências e das transações de domínio sobre as pessoas perpetradas pelos poderosos.

Espelhai-vos no maior jornalista que o Brasil já teve, o baiano Cypriano Jozé Barata de Almeida, que combateu como nenhum outro pela liberdade do Brasil no final do período colonial, Primeiro Império e Regência. Fez mais pela liberdade de nossa gente do que os heróis oficiais com seus festejados bustos em praças públicas.

Explico: Cypriano fez da imprensa, e vós também podereis fazer, a grande justiceira da humanidade, a deusa tutelar da espécie humana. Os poderosos que escrevem a História deram-lhe apenas a esmola de uma rua com o seu nome no bairro do museu do Ipiranga, em São Paulo, uma em Salvador, onde nasceu, outra em Natal, onde morreu. Não importa, foi o maior jornalista!

Ao ostentardes o diploma, obrigatório para qualquer humano, as sábias velhinhas vos dirão, emocionadas, nos pontos de ônibus, metrô, filas de bancos, supermercados: vós fizestes Jornalismo, meu filho, minha filha querida, fizestes? Que lindo!

Written by Priscila Armani

quarta-feira, julho 15, 2009 at 2:49 pm

Diploma: só eu sei o valor que o meu tem

with 3 comments

Revolta é pouco para descrever como estou me sentindo com essa decisão irresponsável do STF de anular a necessidade de diploma de curso superior para exercer o Jornalismo.

Essa decisão só demonstra como, para a Justiça, o profissional de imprensa não vale nada. De repente, o nosso mercado de trabalho, já tão precário, se tornou inexistente. Agora, qualquer pessoa pode concorrer conosco a uma vaga de trabalho.

Sim, porque qualquer imbecil pode ser jornalista, não é verdade? Basta escrever bem. Numa época em que a Internet nos dá um milhão de possibilidades, todo mundo pode emitir uma opinião e ser ouvido e aplaudido. Qualquer bobagem ganha o status de notícia. Ética passa a ser um item dispensável.

De repente, não há mais diferença entre o que sai no Kibe Louco e o que sai na Folha de São Paulo. Será um “salve-se quem puder” entre as pessoas que quiserem se informar e ainda precisarem de notícias que tenham um mínino de embasamento.

Na verdade, as pessoas não precisam mais saber de nada. Por isso o diploma sequer é necessário. Para que qualificar quem vai falar se ninguém mais está disposto a ouvir? Além do mercado estar saturado de profissionais (diplomados ou não), o formato cansou as pessoas. Agora, tudo precisa ser entretenimento.

No futuro, o Youtube estará formando opiniões. O senso crítico será desnecessário. Estamos caminhando rumo a uma era em que receberemos, confortavelmente, em nossos sofás, o que pensar e como agir. Trabalharemos, teremos lazer no fim de semana, e receberemos passivamente tudo que nos for imposto, sem sequer pensar a respeito.

Discernimento será reservado a poucos, especialmente a aqueles que estarão no poder. O povo será massa de manobra. As empresas lucrarão. E os recursos naturais serão exauridos.

Quando eu decidi, em 2002, que iria ser jornalista e entrei numa faculdade particular, eu queria fazer algo para reverter esse quadro. Eu não sabia o que, mas eu queria fazer alguma coisa. Foi isso que me motivou a ficar, com muito sacrifício meu e da minha família, 4 anos lá.

Para mim, não importa o que o STF diga. O meu diploma tem valor. Só eu sei o valor que o meu diploma tem. E, apesar dos pesares, ainda estou disposta a fazer alguma coisa para contornar essa situação tão degradante para a qual nosso país está caminhando.

‘O que você fará?’, o leitor deve estar se perguntando. Bem, ainda não tenho certeza. Comecei escrevendo este texto. Talvez isso já seja um primeiro passo.

Written by Priscila Armani

quinta-feira, junho 18, 2009 at 3:56 pm

“É mais importante preservar o jornalismo do que preservar os jornais”

leave a comment »

A ex-rainha do mercado de revistas nos EUA, Tina Brown, entrou na discussão sobre o futuro dos jornais. Defendeu que os esforços devem ser direcionados para manter a intenção e a proposta do jornalismo em si mesmo, e não em manter os jornais impressos.

“Francamente, é mais importante preservar o jornalismo do que preservar os jornais”, declarou em entrevista ao Telegraph. Tina foi editora da Vanity Fair entre 1984 e 1992 e da The New Yorker entre 1992 e 1998. A notícia é do Editors Weblog.

Notícia retirada do Blue Bus.

Written by Priscila Armani

quarta-feira, junho 3, 2009 at 12:53 pm

Por que tanta gente quer ser jornalista?

with 3 comments

Vale a pena ler. É um texto longo, mas uma reflexão inteligente a respeito do profissional de imprensa.

Escrito por Ricardo Kotscho

Extraído do site Observatório da Imprensa.
 
Faz muitos anos que os cursos de comunicação social que formam jornalistas são os mais cobiçados nos exames vestibulares. Faculdades de jornalismo pipocam por todo o país, são centenas por toda parte.

Por isso, eu me pergunto: por que tanta gente quer ser jornalista, exatamente neste momento em que se anuncia a morte dos jornais e a nossa profissão é tão criticada pelo conjunto da sociedade?

Além disso, estamos prestes a ter uma decisão do Supremo Tribunal Federal, provavelmente acabando com a obrigatoriedade do diploma, o que, na prática, significa que qualquer um poderá ser jornalista, como já vem acontecendo.

Claro, eu sei que com o crescimento das novas mídias eletrônicas ninguém mais precisa ter diploma nem emprego para ser jornalista, pois cada um pode fazer seu próprio jornal na internet.

A profissão da moda

Mesmo assim, uns 50 mil jovens, ninguém sabe ao certo quantos, estão hoje cursando faculdades de jornalismo para ter um diploma. Daqui a pouco vamos ter um contingente maior de estudantes do que o conjunto de profissionais em atividade.

Cada vez que faço uma palestra ou participo de debates em faculdades, vejo aquele mundão de gente no auditório e me preocupo com o futuro profissional daqueles jovens. Haverá emprego e trabalho para todos?

Emprego bom, não sei, mas trabalho certamente quase todos terão se quiserem mesmo ser jornalistas. Mudaram tanto as relações de trabalho que você hoje já não sabe quem é patrão e quem é empregado de quem diante dos milhares de títulos de impressos e de assessorias de imprensa, sites e blogs na internet.

O mais difícil é saber por que e para que eles querem ser jornalistas. Fiz esta pergunta aos meus alunos quando dei aulas por um período na USP e na PUC/SP no século passado e poucos souberam responder.

Cheguei à conclusão de que a maioria estava ali porque jornalismo era a profissão da moda, sem a menor idéia do que gostaria de fazer na profissão, além de aparecer na tela da TV Globo, é claro, ou ter uma coluna na Folha ou na Veja.

Tempo para fazer matérias

Aquela velha história de idealismo, compromisso social, mudar o mundo e todos os sonhos dos meus tempos de estudante, acabou. A grande maioria quer mesmo é se dar bem, fazer sucesso e ganhar uma boa grana, sem saber como.

Fico impressionado com a quantidade de estudantes que me procuram para dar entrevistas, fazer palestras, dar depoimentos para seus TCC (Trabalho de Conclusão de Curso, uma praga que inventaram para atazanar a vida de velhos jornalistas) ou simplesmente conversar sobre a profissão.

Muitos deles buscam apenas uma palavra de estímulo, um alento, já que em suas escolas os professores os desanimam tanto diante das dificuldades que encontrarão no mercado de trabalho que muitos desistem antes mesmo de tentar alguma coisa.

E no entanto, a cada encontro com estudantes de jornalismo, me surpreendo não só com a quantidade, mas também com o entusiasmo e a qualidade de alguns deles, dispostos a encontrar nesta profissão não apenas uma opção profissional, mas uma opção de vida.

Foi o que aconteceu na última segunda-feira (13/4), na Universidade São Judas, na Moóca, em que tive dificuldades até para sair do auditório. Estava com pressa porque tinha um outro compromisso naquela noite, mas eles queriam fazer mais perguntas até no caminho do banheiro.

Eu até agora não sei responder à pergunta que fiz no título deste post. Se algum leitor tiver a resposta, por favor me diga.

Abaixo, transcrevo a palestra, na esperança de que os estudantes interessados em saber o que penso encontrem as respostas que procuram e me deixem um tempo para poder fazer minhas matérias.

Leia a transcrição da palestra aqui.

Written by Priscila Armani

segunda-feira, abril 27, 2009 at 11:00 pm

Pão e circo

leave a comment »

capa380

Já disseram que o povo precisa de duas coisas: de pão e circo. Ou seja, na mídia tudo tem potencial para virar circo. Especialmente as grandes tragédias.

Eu, obviamente, não tenho nada contra o circo. Porque ele gerará doações, dinheiro, comida e forçará a solidariedade dos mais sovinas. Eles irão se mobilizar à favor de Santa Catarina. Em dois dias, eu já vi faixas de S.O.S Santa Catarina em vários lugares. Mas cuidado gente! Antes de doar, verifiquem se o que vocês estão dando vai mesmo para lá…

Outra coisa: toda tragédia é lucrativa! Olha bem que gracinha esta garotinha na capa aí em cima. Quantas revistas vocês não acham que o belo rostinho dessa criança irá vender? Até aí tudo bem, mas… a garota está morta! É uma linda menininha morta! Será que isso não é um pouco demais para vender revista? Estará a revista dando o dinheiro arrecadado com a venda dos exemplares para os moradores desabrigados de Santa Catarina? Será? E a família dessa menina? Ganhará um centavo das tiragens vendidas? Bem… o que vocês acham? Lógico que não estou dizendo que a revista deveria dar dinheiro a alguém, não estou!

Eu não vou escrever aqui que isso é sensacionalismo! Deixo a cabo de vocês julgarem. Assistam aos especiais de TV, às mobilizações, aos comerciais, aos atores dando entrevistas, às iniciativas de “responsabilidade social” de diversas empresas que vão pipocar nos próximos dias, se oferecendo para ajudar. Observem bem. Lógico que Santa Catarina irá se reerguer. Mas e o Jornalismo? Quem vai salvar o pobre Jornalismo? Esse aí está moribundo e não tem resgate!

Written by Priscila Armani

domingo, novembro 30, 2008 at 10:10 pm

Protesto à favor da regulamentação do Jornalismo

leave a comment »

Não posso deixar de comentar a respeito da polêmica envolvendo o projeto de lei 3981/08 que, na última semana, foi apresentado pelo Deputado Federal Celso Russomano e repercutiu mal entre a classe de comunicadores em todo o país. Este deputado é, na minha opinião, um político que está agindo de maneira irresponsável, quando propõe que jornalistas não precisem de diploma, mas que apenas tenham de possuir pós-graduação na área.

Qual terá sido o brilhante raciocínio de tal parlamentar ao julgar que um pós-graduado em jornalismo não precisa ser graduado na mesma área? Fico me perguntando isso porque, afinal de contas, uma pós pressupõe que um curso superior tenha sido feito antes. Como fazer pós sem a graduação?

E então se eu for graduado em matemática ou fisíca quântica posso trabalhar numa rádio e falar sobre Teoria da Relatividade aos meus ouvintes? Imagino a audiência do programa. Ou se eu for engenheiro e quiser fazer assessoria de imprensa de um deputado, imagina que sucesso, hein? Sim, claro, qualquer um pode fazer jornalismo, com certeza! Eu vou então fazer pós em Direito e começar a defender clientes! Ou fazer pós em neurocirurgia e operar o cérebro deste brilhante parlamentar…

Felizmente o povo brasileiro parece respeitar mais o jornalismo que o próprio congresso. Pesquisa realizada entre 15 e 19 de setembro, em 24 estados das cinco regiões brasileiras, pela FENAJ/Sensus divulgou que dos dois mil entrevistados, 74,3% se disseram a favor do Diploma para jornalistas. Apenas 13,9% dos entrevistados se mostraram contra o título profissional e 11,7% não souberam ou não responderam.

Por aí a gente vê que os nossos “representantes” não representam a nossa vontade no Congresso. E a população não é nada burra em exigir profissionais qualificados para cuidar do conteúdo das notícias produzidas. Se uma arma ou um bisturi podem matar, também uma notícia mal apurada pode acabar com a vida de uma pessoa. Diploma é o mínimo a ser exigido.

Written by Priscila Armani

quarta-feira, setembro 24, 2008 at 11:00 pm

Menos papel, mais SMS

leave a comment »

O Pew Research Center for the People & the Press divulgou a mais recente edição da pesquisa que costuma realizar a cada dois anos e que detecta as tendências no consumo de noticias. Os resultados indicam algo já esperado: a queda na leitura dos impressos, sendo que esta foi ainda maior que a leitura das edições on-line dos periódicos.

Dos que participaram da pesquisa, 34% responderam que tinham lido jornal no dia anterior. Na pesquisa realizada em 2006, esse percentual era de 40%.

Já a audiência de telejornalismo permaneceu estável em relação a 2006. Mas os canais de notícias a cabo levaram vantagem, com ganho significativo de 34% para 39% em 2 anos. 

O percentual dos norte-americanos que disseram ler notícias on-line pelo menos 3 vezes por semana subiu de 31% para 37%. E a porcentagem de pessoas que acessam notícias na web (37%) está maior do que a audiência de um dos telejornais noturnos das TVs abertas (29%).

Engraçado observar que os jovens (com menos de 25 anos) tem consumido cada vez menos notícias. Em uma década, o percentual de não-consumidores passou de 25% em 1998 para 34%. Além disso, 37% desses jovens disseram que, quando se informam, é a partir dos telefones, por meio de SMS recebidos.

Written by Priscila Armani

terça-feira, agosto 19, 2008 at 1:29 pm