Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

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Onde está a Gripe Suína?

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Notaram como a gripe suína sumiu dos noticiários? Porque? O pior terá, de fato, passado? Abaixo, interessante reflexão de Carlos Castilho sobre este assunto. Este texto foi retirado da seção Código Aberto, do site Observatório da Imprensa.

A gripe H1N1 (ex-gripe suina) está sumindo do noticiário deixando no ar uma série de perguntas não respondidas e principalmente a sensação de que foi mais um de uma sucessão de eventos midiáticos onde nós todos somos espectadores e protagonistas involuntários.

A gripe foi apresentada durante várias semanas como uma gravíssima ameaça à humanidade, provocando a adoção de medidas que beiravam a histeria coletiva. De repente,as notícias minguaram, foram se tornando escassas, num processo muito similar ao que aconteceu com a chamada turbulência econômica global.

Tanto num como noutro caso houve um impacto inicial provocado por declarações alarmistas de autoridades diversas, seguidas por um bombardeio noticioso por parte da mídia gerando temor, preocupação e reações de todos os tipos entre os consumidores de informação.

Mas o que mais surpreende foi a forma como ambos os temas sumiram da agenda da imprensa, deixando no ar uma dúvida básica: será que eles eram tão relevantes como pareciam inicialmente?

Se não foram, faltou serenidade da imprensa e das autoridades para dar tanto à crise econômica mundial como à “epidemia” de gripe a sua dimensão real, poupando a população de um estresse desnecessário.

Mas se ambos os processos são tão graves quanto o quadro pintado inicialmente pela mídia e pelos governos, então os nossos com comunicadores e autoridades estão agora agindo irresponsavelmente ao deixarem a população sem o necessário seguimento informativo.

A sucessão recente de grandes eventos mundiais e nacionais segue uma mesma rotina efêmera e indica que a mídia e as autoridades, tanto políticas como corporativas, criaram o que poderíamos chamar de “indústria da crise”, ou seja, uma estratégia para buscar objetivos, nem sempre claros, usando como ferramenta principal os temores e inseguranças das pessoas comuns.

Outra característica comum de toda excitação informativa provocada pela combinação de interesses entre autoridades e imprensa é a despreocupação generalizada com as soluções. Grandes escândalos como o mensalão e outros sumiram da mídia e o que se vê são os principais acusados recuperando gradualmente o antigo status.

Mais uma vez fica a dúvida. Ou a acusação e os escândalos eram infundados e a mídia foi cúmplice em jogadas políticas escusas, ou tudo era verdadeiro e agora assistimos a uma irresponsável absolvição branca dos culpados. Onde está a função fiscalizadora da imprensa?

De dúvida em dúvida vamos começando a construir uma certeza: a de que a mídia e as autoridades estão chegando perigosamente perto do descrédito generalizado. A busca frenética por situações capazes de garantir visibilidade para os tomadores de decisões — e novas receitas para os formadores de opiniões — começa a tornar nítido o divórcio entre os interesses dos que têm poder e os desejos ou necessidades da população.

Leia o artigo completo aqui.

Written by Priscila Armani

segunda-feira, maio 18, 2009 at 1:27 am

Por que tanta gente quer ser jornalista?

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Vale a pena ler. É um texto longo, mas uma reflexão inteligente a respeito do profissional de imprensa.

Escrito por Ricardo Kotscho

Extraído do site Observatório da Imprensa.
 
Faz muitos anos que os cursos de comunicação social que formam jornalistas são os mais cobiçados nos exames vestibulares. Faculdades de jornalismo pipocam por todo o país, são centenas por toda parte.

Por isso, eu me pergunto: por que tanta gente quer ser jornalista, exatamente neste momento em que se anuncia a morte dos jornais e a nossa profissão é tão criticada pelo conjunto da sociedade?

Além disso, estamos prestes a ter uma decisão do Supremo Tribunal Federal, provavelmente acabando com a obrigatoriedade do diploma, o que, na prática, significa que qualquer um poderá ser jornalista, como já vem acontecendo.

Claro, eu sei que com o crescimento das novas mídias eletrônicas ninguém mais precisa ter diploma nem emprego para ser jornalista, pois cada um pode fazer seu próprio jornal na internet.

A profissão da moda

Mesmo assim, uns 50 mil jovens, ninguém sabe ao certo quantos, estão hoje cursando faculdades de jornalismo para ter um diploma. Daqui a pouco vamos ter um contingente maior de estudantes do que o conjunto de profissionais em atividade.

Cada vez que faço uma palestra ou participo de debates em faculdades, vejo aquele mundão de gente no auditório e me preocupo com o futuro profissional daqueles jovens. Haverá emprego e trabalho para todos?

Emprego bom, não sei, mas trabalho certamente quase todos terão se quiserem mesmo ser jornalistas. Mudaram tanto as relações de trabalho que você hoje já não sabe quem é patrão e quem é empregado de quem diante dos milhares de títulos de impressos e de assessorias de imprensa, sites e blogs na internet.

O mais difícil é saber por que e para que eles querem ser jornalistas. Fiz esta pergunta aos meus alunos quando dei aulas por um período na USP e na PUC/SP no século passado e poucos souberam responder.

Cheguei à conclusão de que a maioria estava ali porque jornalismo era a profissão da moda, sem a menor idéia do que gostaria de fazer na profissão, além de aparecer na tela da TV Globo, é claro, ou ter uma coluna na Folha ou na Veja.

Tempo para fazer matérias

Aquela velha história de idealismo, compromisso social, mudar o mundo e todos os sonhos dos meus tempos de estudante, acabou. A grande maioria quer mesmo é se dar bem, fazer sucesso e ganhar uma boa grana, sem saber como.

Fico impressionado com a quantidade de estudantes que me procuram para dar entrevistas, fazer palestras, dar depoimentos para seus TCC (Trabalho de Conclusão de Curso, uma praga que inventaram para atazanar a vida de velhos jornalistas) ou simplesmente conversar sobre a profissão.

Muitos deles buscam apenas uma palavra de estímulo, um alento, já que em suas escolas os professores os desanimam tanto diante das dificuldades que encontrarão no mercado de trabalho que muitos desistem antes mesmo de tentar alguma coisa.

E no entanto, a cada encontro com estudantes de jornalismo, me surpreendo não só com a quantidade, mas também com o entusiasmo e a qualidade de alguns deles, dispostos a encontrar nesta profissão não apenas uma opção profissional, mas uma opção de vida.

Foi o que aconteceu na última segunda-feira (13/4), na Universidade São Judas, na Moóca, em que tive dificuldades até para sair do auditório. Estava com pressa porque tinha um outro compromisso naquela noite, mas eles queriam fazer mais perguntas até no caminho do banheiro.

Eu até agora não sei responder à pergunta que fiz no título deste post. Se algum leitor tiver a resposta, por favor me diga.

Abaixo, transcrevo a palestra, na esperança de que os estudantes interessados em saber o que penso encontrem as respostas que procuram e me deixem um tempo para poder fazer minhas matérias.

Leia a transcrição da palestra aqui.

Written by Priscila Armani

segunda-feira, abril 27, 2009 at 11:00 pm

Humor a serviço da notícia

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cqc

Republico aqui texto da seção “Circo da Notícia”, do site Observatório da Imprensa, que elogia o trabalho jornalístico do CQC e analisa a questão do humor no programa. Achei esse texto muito interessante e pertinente. Não deixem de lê-lo, é bem esclarecedor.  

 
CQC
O humor e o escracho a serviço da notícia

Por Carlos Brickmann em 4/11/2008
  
A série é divertidíssima: um repórter do CQC se apresenta a políticos em evidência como especialista em marketing político, e sugere como devem se portar, o que devem dizer, como fingir que trabalham, coisas do tipo. Os políticos, sem exceção, obedecem imediatamente. E o programa põe no ar as ordens do “especialista em marketing político” e a maneira como os políticos as cumprem.

É humor ou jornalismo? É humor, porque é engraçado, é feito para fazer rir; e é jornalismo, por mostrar a verdade que tantas vezes se esconde por trás da atitude pública. Pede-se que um parlamentar abra pessoalmente a porta de casa, “para mostrar que é igual a todos”, que receba a reportagem “falando ao telefone”, e apareça no ar como “quem estava trabalhando”, que finja dar ordens a um grupo de assessores, exibindo sua capacidade de delegar tarefas. Eles obedecem.

O CQC, como o Pânico, tem forte tendência a ultrapassar certos limites, o que não é bom; mas, ao mesmo tempo, é exatamente essa tendência, essa ousadia, que abre novas possibilidades de captação de notícias. Idéias como a de entregar uma medalha de prata a quem tirou o segundo lugar no segundo turno são inovadoras, tanto que ainda não é possível saber se são ofensivas ou apenas engraçadas; mas, de qualquer forma, revelam o estado de espírito do perdedor com muito mais precisão do que as perguntas tradicionais da reportagem tradicional.

O exercício de um mandato eletivo está longe de ser (ou deveria estar longe de ser) um caminho suave, com lindas paisagens e riachos murmurantes. O exercício de um mandato eletivo exige capacidade de rebater dificuldades, de manter-se equilibrado diante de desafios, de suportar adversidades. Quem não for capaz de manter o bom-humor diante de uma provocação de jornalistas-humoristas talvez não tenha condições de conter-se diante de problemas reais.

É tudo muito novo, mas a experiência pode dar certo. Vale a pena acompanhá-la e torcer para que tenha êxito. Por que a notícia não pode nos divertir?

Written by Priscila Armani

quarta-feira, novembro 5, 2008 at 12:12 pm