Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

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Um pipocão para se amar

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Ontem, enquanto tentava dormir depois de um dia tão cheio, fiquei zapeando entre três canais diferentes e assistindo três filmes que não tem nada a ver um com o outro: “Um copo de cólera“, “Kill Bill 2” e “Alguém tem que ceder“. Dos três, só o último chamou realmente minha atenção. Pena que ficou tarde demais e eu acabei não vendo o final. Mas, no ponto em que parei, o final estava bem óbvio para mim.

Todos os três filmes eram bastante interessantes e tenho que admitir que assistir pedaços de cada um foi uma expriência diferente. A seqüência em que Alexandre Borges faz sexo com sua esposa em “Um copo de cólera”, por exemplo, é simplesmente uma obra de arte. Chega a ser poético, de tão bonito. É uma ficção cheia de realidade. Poucos casais não devem se identificar com o que vêem retratado ali.

O mesmo vale para “Alguém tem que ceder”, só que nesse filme temos uma reflexão madura e intensa sobre o envelhecer e sobre o amor, que vai além dos fogos de artifício da paixão e permanece na pele, estando presente nas mais insignificantes coisas. Quando o personagem de Jack Nicholson, Harry, diz que “nunca dormiu com alguém”, por exemplo, isso é uma verdade tipicamente masculina. Quantos homens, como ele, às vezes passam anos transando com as mais belas mulheres mas são incapazes de dormir com elas? Não se envolvem, não se deixam atingir. E às vezes nunca experimentam um sentimento que valha a pena.

O personagem de Nicholson é um cinquentão que adora seduzir belas mulheres, interessadas no dinheiro que ganha como empresário do ramo musical. Ele é solteiro, nunca se casou, mas quando resolve seduzir a filha de Erica Barry, uma escritora de peças de Hollywood, acaba se dando muito mal.

Erica o socorre quando sofre um infarto em sua casa e ele acaba tendo de ficar uma semana hospedado lá, para se recuperar. Nesse meio tempo, a filha dela deixa de se envolver com ele e Harry acaba ficando caidinho por Erica, duma maneira que nem ele esperava. Erica já foi casada e quer sossego. Mas terá um páreo duro pela frente, tendo o rabugento Harry e um médico charmoso e bem mais novo (Keanu Reeves) disputando seu amor.

Para mim, uma das melhores seqüências do filme acontece logo depois que Erica vai jantar com seu ex-marido e a nova namorada dele (nova mesmo, tem a idade da filha dele!). Erica encontra Harry no restaurante e este está jantando com uma mulher mais nova também!). Ela fica triste e desesperada, sem saber o que fazer com os próprios sentimentos. Ela vai para casa, se senta à frente do laptop e começa a escrever loucamente, chorando que nem uma doida. Fica feliz porque sua peça de teatro começa a fluir e então dá risada. Aí lembra da dor amorosa e começa a chorar de novo, descabelada. Simplemente sensacional. Extremamente sensível e crível.

O filme todo é muito fácil de se acreditar, como se fosse baseado em fatos reais mesmo. Alguns clichês românticos são inevitáveis. Mas é um filme extremamente superior a 90% das porcarias que povoam os cinemas e as locadoras. Altamente recomendável. Com dois dos melhores atores do cinema (Diane Keaton e Jack Nicholson), grandes sacadas engraçadas e uma relativa profundidade, algo raro em filme de qualquer tipo.

Estamos numa época em que Hollywood só quer saber de mostrar sexo e violência em suas telas.

Written by Priscila Armani

domingo, outubro 19, 2008 at 2:55 pm

Conhecendo Woody Allen

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Assistir “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (“Annie Hall” no título original) foi uma experiência interessante. Conheço pouco de Woody Allen e esse é o único filme dele a integrar a lista dos 100 melhores de todos os tempos da Bravo! Alugamos ele e “Deus e o Diabo na Terra do Sol“, de Glauber Rocha. Mas esse eu vou assistir amanhã.

O filme, basicamente, conta a história de Alvy Singer (interpretado por Woody), que foi casado com duas mulheres e então conhece Annie e quer ficar com ela, mas isso não é tão fácil assim. Ele é um homem extremamente estranho, altamente complexado pelo fato de ser judeu e ter sido criado em uma família insana no Brooklyn, em Nova York. Em alguns momentos quer levar Annie à sério, mas não quer mais um casamento. Ao mesmo tempo, não quer outros relacionamentos. Fica pertubado pelo fato de que ela usa entorpecentes ao fazer sexo (há cenas de experimentação de cocaína perto dos dois e Woody recusa, ela não diz que sim nem que não e aí há uma cena hilária). Ela o chama de volta, quando acham que tudo acabou. E aí é ele que quer voltar, mas ela se recusa. Uma confusão.

Por sua interpretação, Diane Keaton ganhou o Oscar de melhor atriz. O filme também ganhou as estatuetas de melhor diretor, para Woody Allen, melhor roteiro (escrito por Allen em parceria com Brickman) e melhor filme em 1978. Woody foi indicado a melhor ator, mas não levou.

É um filme bom, engraçado, mas que nos leva a refletir. O final é, particulamente, bastante sério. E nos leva a pensar montes de coisas, especialmente quem possui relacionamento sério.

Eu recomendo e agora fiquei um pouco mais curiosa para conhecer os outros de Woody, particulamente Zelig, do qual já ouvi tantas pessoas falando bem.

Written by Priscila Armani

sábado, junho 28, 2008 at 11:16 pm