Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

Amor à flor da pele

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Queria pedir mil desculpas a todos os meus leitores. Dei uma parada no blog e motivo é óbvio: muito trabalho! Além disso, minha irmãzinha, viciada em MSN, não tem deixado o computador de casa disponível para coisas importantes. Assim sendo, me perdoem pela ausência prolongada. 

Hoje vou dar uma dica de DVD que é especialmente para aqueles que gostam de uma narrativa mais lenta e reflexiva. O filme se chama “Amor à Flor da Pele“, e foi dirigido por Wong Kar-wai. A produção  é do ano 2000, mas a reconstituição de época beira a perfeição, nos levando de volta à década de 60 e a uma Hong Kong cheia de problemas. 

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A Revolução Cultural na China mexeu com a vida de muitas famílias. A do próprio diretor do filme, por exemplo, saiu de Xangai nesse período. O inchaço populacional combinado à situação econômica fez com que muitas pessoas precisassem alugar quartos em casas de outrem. E é justamente em torno de dois casais que sublocam quartos em apartamentos vizinhos que é construída a história do filme.

Um caso entre dois dos cônjuges acaba por aproximar as partes traídas, no caso a sra Chan (Maggie Cheung), uma secretária, e o sr Chow Mo-wan (Tony Leung), um jornalista.

Chan e Chow começam a ter contato por causa de sua desconfiança. Em certo momento, o homem convida a vizinha para um café de modo a tentar descobrir algo e os dois, juntos, acabam por ter certeza de que estão sendo traídos. A partir daí, já que os amantes estão viajando e não voltam nunca, os dois começam a passar cada vez mais tempo juntos e o que era formalidade acaba dando lugar a sentimentos profundos, porém contidos: “Não seremos iguais a eles” diz a sra Chan em determinado momento ao sr Chow, claramente refreando seu amor, por não querer repetir os atos de seu marido.

A trilha sonora do filme contribui bastante para criar a atmosfera de desejo contido. Cada canção ou tema é tocado diversas vezes durante o filme, principalmente “Yumeji’s Theme”, composta especialmente por Michael Galasso e que envolve o espectador, chegando a nos dar uma falta de paciência inevitável.

Impossível deixar de destacar a grande atração do filme: a fotografia. Christopher Doyle deixa os planos magníficos e dá sentido poético às ações mais banais, como, por exemplo, Chan descendo e subindo uma escada, colocando os chinelos, usando vestidos fantasticamente coloridos e Chow acendendo um cigarro ou correndo na chuva, com o terno molhado. 

“Amor à flor da pele” é, acima de tudo, poesia e irá frustrar aqueles que estiverem na expectativa de uma grande aventura romântica, cheia de emoções. O filme é linear, sempre mais do mesmo, mas Wong Kar-wai consegue contar essa história de maneira a ela se tornar um grande clássico. 

Observação: Está em 75º lugar na lista dos “100 melhores filmes de todos os tempos”, formulada pela Revista Bravo! 

Assistida em: Domingo passado à tarde, tomando guaraná e comendo pastéis de queijo. 

Fonte de Informações: Site Contracampo.

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Written by Priscila Armani

terça-feira, maio 26, 2009 às 12:01 pm

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