Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

Lawrence da Arábia

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Hoje vou dar um presente para vocês. Duas dicas de DVD na mesma semana, hein? Sou boazinha ou não sou?

E o detalhe dos mais importantes: esta outra dica é tão boa quanto ou até melhor que “Ladrões de Bicicleta”! Preparem-se! Porque agora vou recomendar para vocês um dos melhores filmes de todos os tempos.  

O filme é Lawrence da Arabia (1962) e conta, de maneira bela, poética e cinematográfica a trajetória de Thomas Edward Lawrence enquanto uma das principais figuras articuladoras da Revolta Árabe, ocorrida entre 1916 e 1918. 

peterotoole

Anthony Quinn, Peter O'Toole e Omar Shariff, em cena do filme.

No filme, Lawrence (interpretado de maneira fantástica por Peter O’Toole) é um oficial britânico que está entediado em meio a trabalhos burocráticos e convence seus superiores de que será mais útil indo até o deserto, em missão a campo, para auxiliar o Príncipe Feisal (Alec Guinness, também conhecido como Obi Wan Kenobi).

A tribo do Príncipe é uma das muitas que, futuramente, viria a compor o povo árabe. Lawrence é um dos primeiros a ter essa percepção de união das tribos e, por isso, estabelece uma estratégia para poder salvar a tribo do Príncipe. Essa estratégia consistia em, nada mais nada menos, atravessar um deserto imenso, durante mais de 20 dias, com longo período sem poder abastecer nem os camelos de água. Sol a pino durante o dia, frio intenso durante a noite.

A impressão que temos, devido ao impacto inicial e ao desconhecimento, é de que não seria possível que esse homem tenha feito tudo o que fez no filme e, segundo a biografia dele, até mais do que foi mostrado.

Mais é esclarecedor, nesse sentido, informações que a Wikipedia nos traz:

“Na adolescência, (ele) se submetia a um regime espartano de treino físico que o tornaria extremamente resistente. Era frequente fazer jejuns prolongados ou alimentar-se pobremente. (…) Mais tarde, em 1909, ao preparar a sua tese de licenciatura, viajou até à Síria onde estudou os castelos dos Cruzados, percorrendo enormes distâncias a pé”.

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Foto do verdadeiro T. E. Lawrence. A semelhança física de O'Toole com o personagem é impressionante.

Munidos dessas informações, entendemos o porquê da resistência física do protagonista ser tão grande, ficando ele sobre o sol a pino, sem água, sem comida, montado em camelo, mas resistindo bem. Em vários momentos do filme, nos surpreende a força de vontade do personagem, quase um super-herói do início do século XX, mas feito de carne e osso.

Bom destacar que esse filme foi a estreia de Peter O’Toole no cinema e ele não perdeu a oportunidade de tornar sua atuação inesquecível. Omar Sharif (Xerife Ali) e Anthony Quinn (Auda abu Tayi) também são maravilhosos. Uma verdadeira aula de atuação, dos três.

Outro destaque que não pode deixar de ser mencionado é a trilha sonora, impecável como poucas na história do cinema. O compositor francês Maurice Jarre, falecido em março desse ano, ganhou um de seus três Oscar por ela. Grandiosa como o filme e marcante, ela tem, inclusive, espaço reservado na projeção. Durante as quase quatro horas dos DVDs temos cinco minutos iniciais só de música, cinco no intervalo e cinco no início do outro disco, como assim exigiu o diretor do filme, David Lean (Passagem para a Índia, A Ponte do Rio Kwai).

Jarre executa parte da Trilha Sonora do filme:

O filme foi indicado em 1963 a 10 Oscar, sendo que ganhou 7: Melhor Direção de Arte, Melhor Cinematografia, Melhor Diretor, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora, Melhor Filme e Melhor Sonorização.

Acho que Peter O’Toole e Omar Sharif mereciam os Oscar de Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante a que foram indicados. Mas os dois eram jovens ainda. O’Toole, infelizmente, nunca ganhou um Oscar, a não ser aquele pelo conjunto da obra (Ridículo isso! Gringos idiotas!). Já Shariff ganhou um Globo de Ouro por sua atuação no filme. Nunca mais foi indicado ao Oscar.  

Trailer encontrado no Youtube, mas não é o oficial:

Fontes consultadas para a elaboração desta resenha crítica:

Wikipedia, Cineplayers, T.E. Lawrence Studies, IMDB.

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Written by Priscila Armani

quinta-feira, abril 23, 2009 às 2:06 am

2 Respostas

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  1. nossa, esse filme é ótimo! mas faz muuuuito tempo que vi! vou assistir de novo um dia desses! =]

    Paulo Cholla

    quinta-feira, abril 23, 2009 at 12:27 pm

  2. Olá,

    estou reativando meu blog sobre cinema: (www.christianjafas.wordpress.com) o Imagem em Movimento.

    Fiquei uns anos sem escrever, mas agora estou voltando.

    um abraço,

    Christian

    christianjafas

    sábado, julho 18, 2009 at 5:31 pm


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