Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

Milk

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harvey_milk

Harvey Milk durante passeata em 1978. A semelhança física de Sean Penn com o verdadeiro personagem é impressionante.

Não posso dizer que este texto seja uma dica de DVD porque Milk acaba de sair dos cinemas. Na verdade, em alguns ainda se consegue ver o filme em exibição, mas são poucos.

Ontem mesmo fui em uma das últimas sessões. Semana que vem o filme passa a ser exibido só na parte da tarde. E depois deve sair de cartaz.

Milk é uma obra de arte. Muito bonito. Um esforço enorme de Sean Penn, que lhe valeu o merecido Oscar de Melhor Ator desse ano. Penn atua de maneira encantadora e cativante. E Gus Van Sant filma de uma maneira que lhe é peculiar.

Intimista, a câmera é quase como se fosse o olho do espectador. A fotografia é muito bonita, delicada, fazendo bom uso de claro, escuro e colorido. Genial a inserção de imagens de época em meio ao filme. Dá veracidade e aspecto documental à obra. Acima de tudo, nos deixa interados de tudo o que aconteceu e faz uma bonita homenagem ao personagem principal.

Para suavisar os momentos mais brutais, Sant usa a câmera para fazer poesia. Quando Dan White (Josh Brolin, numa atuação genial) faz seu “trabalho sujo”, o espelho assiste tudo, não nós. De um relógio, vemos a revolta de Harvey, quando um amigo é assassinado.Vemos o protagonista em seus últimos momentos, quando olha para o cartaz de Bidu Sayão em sua ópera favorita.

E quase chegamos a sentir o calor de São Francisco, quando vemos os jovens andando pelas ruas ensolaradas. Sentimos todo o clima da época. As músicas, roupas, gírias, comportamento, tudo nos remete aos anos 70. Reconstituição impecável. É tudo tão verossímel que algumas vezes até nos confudimos: isso é um filme ou um documentário?

Gus Van Sant consegue consagrar lindamente o primeiro político assumidamente gay a ser eleito para um cargo público. Ele tinha ideais e o diretor soube valorizá-los. Tudo teve seu peso, sua hora, sua medida. Um filme que emociona e mostra que ainda podemos esperar muito mais não só desse diretor, mas também de Sean Penn. Hollywood ainda não está perdida!

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Written by Priscila Armani

quinta-feira, março 26, 2009 às 5:20 pm

Publicado em Cinerama

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