Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

Caminho (desrespeitoso) das Índias

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Não tenho como deixar de repercutir o sensacional texto de Washington Araújo, detonando a novela “Caminho das Índias” e esclarecendo como ela está longe de refletir qualquer realidade.

Publico trecho abaixo e deixo ao final do texto o link para o acesso ao conteúdo completo.

Este texto foi originalmente publicado no site Observatório da Imprensa, na terça-feira passada.

Boa leitura e reflexão!

Caminho (desrespeitoso) das Índias

Por Washington Araújo

Convenço-me cada vez mais que Caminho das Índias é o folhetim mais fantasioso – e também desrespeitoso para com outra cultura – jamais produzido pela televisão brasileira. Se existe algum traço de realidade naquela trama, esse traço ficou submerso no sagrado rio Gânges. Visitei Nova Déli em dezembro de 1987, quando pude participar da dedicação a Deus e à humanidade do Templo Bahá´í, o belo templo de nove lados na forma de flor de lótus, ladeado por igualmente 9 espelhos d´água. E tenho bem viva na memória a noite do dia 27 de dezembro daquele ano quando ninguém menos que Ravi Shankar, o grande músico e poeta indiano, apresentou a sinfonia especialmente criada por ele para aquela ocasião. São as imagens daquela Índia que vi e vivi que não se casam, nem à força, com a Índia que estou me esforçando para ver e quem sabe vivenciar em nossa telinha mágica que é a TV.

(…)

Nessa história há um padrão de farsesco nos detalhes. Chama atenção o destaque dado às superstições e crendices que da forma como são apresentadas parecem derivar da sagrada religião hindu. E isso não é verdade e mesmo, não se sustenta em fatos. Colocar a questão do dote para o casamento de forma folclorizada é um claro nonsense da trama. Um indiano abastado deixar de sair de casa se a primeira imagem que vir ao colocar os olhos na rua for o de uma viúva ou de algum intocável é de rolar de rir. Desfazer uma maldição nupcial casando o personagem com uma bananeira, uma árvore, um animal, é rematada tolice. Não vi nada disso na Índia e se tais costumes e práticas algum dia existiram devem estar ainda enredados na milenar noite dos tempos…

Minha perplexidade é tal que me faz imediatamente pensar em um paralelo possível. Imaginemos que produtores de Hollywood resolvessem fazer um seriado de costumes tendo como pano de fundo o Brasil dos dias atuais e então…

** colocassem homens vestidos apenas com sungas e mulheres trajando minúsculos biquínis ou apenas aqueles do tipo fio-dental em plena avenida Paulista ou nos arredores da Candelária, na avenida Rio Branco ou entrando no Ministério da Justiça em Brasília?

** colocassem pais ensinando os filhos a se precaverem e a temerem a Sucupira, o Saci-Pererê, o Mula-sem-cabeça, o chupacabras, o lobisomem, os ETs de Varginha?

** colocassem mulheres baianas vestidas com os vestidos das baianas do acarajé em pleno Teatro Castro Alves e homens com fantasias do bloco Filhos de Gandhi deitando discursos em inaugurações do governo?

(…)

Se existe algo que impede a criação de uma cultura genuína de paz entre todos os seres humanos do planeta é, sem dúvida alguma, a forma grosseira como retratamos o que não entendemos ou o que é diferente de nós. Vale ainda, pois dificilmente prescreverá, a regra de ouro de todas as religiões: não devemos fazer aos outros aquilo que não desejamos que seja feito a nós.

Leia o texto na íntegra.

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Written by Priscila Armani

sexta-feira, fevereiro 13, 2009 às 9:27 am

Uma resposta

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  1. Excelente texto. Hä muito não lia algo tão bem escrito, com ótimas viagens, uma prosa agradável, sincera no tom, apaixonada na defesa da tese maior do respeito às demais culturas, religiões, ideologias. Aproveitei e visitei o blog do Washington Araújo e fiquei espantado com a qualidade e altruísmo de seu humanismo. Quem tiver interesse na viagem: http://www.cidadaodomundo.org Obrigado Priscila.

    Walter Carvalho

    sexta-feira, fevereiro 13, 2009 at 9:43 pm


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