Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

Os Sete Samurais

leave a comment »

akira_kurosawa03akira_kurosawa01

Poucos filmes que assisti tem tanto conteúdo e são tão densos quanto “Os Sete Samurais“, de Akira Kurosawa.

Kurosawa é referência no cinema mundial. Considerado um dos maiores cineastas de todos os tempos,  ele abriu as portas do mundo à cultura cinematográfica do Oriente, retratando em seus filmes diversas facetas da cultura japonesa. Com “Rashômon”, que levou o Leão de Ouro em Veneza no início dos anos 50, seu talento tomou projeção internacional.

Mas foi considerado durante muito tempo um cineasta de segunda categoria dentro do Japão. Chegou a tentar suicídio, quando não conseguiu juntar dinheiro para realizar um de seus filmes. Steven Spielberg, George Lucas, Martin Scorsese e Francis Ford Coppola eram seus fãs e fizeram uma “vaquinha” para que ele continuasse a trabalhar.

Mas vamos aos Samurais. Depois desse filme, criou-se um verdadeiro culto à imagem do Samurai por todo o mundo. “Os Sete Samurais” retrata esse guerreiro como valoroso, leal, companheiro e interessado em usar seu talento com a espada para servir tanto senhores de castelos como agricultores. No filme, vemos o ronin Kambei (Takashi Shimura) ser recrutado por lavradores para defenderem a sua vila da ameaça iminente de bandidos. Ele procura por mais seis samurais, para ajudá-lo. [Observação: Ronin é um samurai sem mestre, que não guarda castelos.]   

capa1

Ele encontra um jovem, que quer ser seu discípulo e seguí-lo. Em seguida, ele começa a procurar por mais companheiros, mas a busca é difícil visto que tudo que os lavradores podem oferecer é comida. E poucos estão dispostos a lutar por tão parca recompensa e sem glória alguma.

Depois de muitas buscas, ele consegue encontrar cinco samurais de grande valor e talento, honestos e bem-intencionados, tocados pela miséria dos lavradores. E é seguido e afrontado pelo desastrado Kikuchiyo, que não é samurai, mas sim um homem bobo, que aparenta ser idiota, mas na verdade é cheio de ternura.  

Incrivelmente tenho visto em outros sites resenhas desse filme que dizem que assim que os samurais chegaram na aldeia, eles foram bem recebidos pelos lavradores. Que nada! Os lavradores se esconderam e os rejeitam, o que é algo muito característico do japonês, não ser receptivo a aquele que é desconhecido. Só depois que Kikuchiyo soa o alarme da aldeia, eles percebem o quanto precisam dos samurais e os recebem bem, sendo gratos pelos serviços deles. Ainda assim, as mulheres da aldeia ficam escondidas dos samurais, já que os lavradores temem que eles as levem embora ou desonrem.

O filme é bonito, inteligente e tem as cenas de violência mais verossímeis que já vi. A impressão que dá, nas cenas de guerra, é que a guerra é de verdade! Bandidos e samurais se atacam, lavradores furam os bandidos com as lanças e as interpretações são tão convincentes que emocionam, até mesmo as dos coadjuvantes.

Ao final, temos um bom retrato do individualismo japonês e humano, numa perfeita percepção de Kurosawa de que nem mesmo a solidariedade é capaz de unir classes que sempre se odiaram e que eram como água e óleo: parecem se misturar, mas ao final sempre se separam.  

Abaixo o início do filme, só para deixar vocês com um gostinho.

Anúncios

Written by Priscila Armani

quarta-feira, novembro 26, 2008 às 10:55 pm

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: