Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

Vicky Cristina Barcelona

with 3 comments

Eu poderia usar muitos adjetivos (pejorativos) para falar do novo filme de Woody Allen, “Vicky Cristina Barcelona“. Vou tentar evitar ao máximo isso, porque não quero influenciar você, que está me lendo. Mas fato é que você não deve ir ao cinema esperando encontrá-lo nesse filme.

Sim, Woody não está na telinha e, para ser bem honesta, só lembro-me que o filme é dele durante alguns momentos da projeção. Em “Vicky Cristina”, ele usa uma série de clichês para montar um quebra-cabeça bem engendrado, que envolve três mulheres e um pintor. Os personagens são bem caricaturados. E o filme é irritante, extremamente irritante (pronto! não resisti e adjetivei!).

Tudo começa quando Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) resolvem ir para Barcelona. As duas são estereotipadas no primeiro segundo do filme. Vicky é morena e mais “séria”, noiva e com os “pés no chão”. Cristina é loira, não tem “medo de se arriscar no amor” e, na minha concepção, julgada como a “vagabunda”, que vai fácil para a cama alheia.

Quando Woody nos mostra esse panorama e insere o latin lover Juan Antonio (personagem de Javier Bardem, ultra clichê) junto às duas garotas, a gente se assusta um pouco. O pintor é bem estereotipado. Chega bancando o machão e, de cara, propõe um fim de semana numa cidade chamada Oviedo, querendo transar com as duas de uma vez. Não me parece nada crível quando elas aceitam a proposta, até porque Vicky mostra muita resistência a isso. Comercialmente falando, os espectadores já tiveram acesso ao conteúdo do filme e fotos, então todo mundo fica na expectativa de que role alguma putaria.

E ela rola várias vezes durante o filme, mas aí o estilo de Woody se faz presente. De maneira bastante diferente, o diretor não mostra corpos nus e suados fazendo amor loucamente. Ele apenas mostra os rostos dos personagens. Ao invés de valorizar formas físicas e ofegantes, como é tão comum, aí sim ele foge do clichê. As cenas de sexo são sempre sugeridas, entrecortadas, focadas em pontos, mas sem revelar praticamente nada do corpo dos personagens. O diretor parece querer dizer que sexo não tem nada a ver com o que ele quer mostrar e não possui relevância para a história.

Mas afinal o que Woody quis mostrar? O filme dá uma volta de 360°, ou seja, não sai do lugar. As duas personagens terminam exatamente como começaram e isso não surpreende. Destaque para a atuação de Penélope Cruz, que faz uma Maria Elena perfeita: enlouquecida, controladora, estranha e passional, a mulher transmite sexo pelos poros. E dá um pouco de vida e graça ao enredo, que, do contrário, não teria como funcionar.

Destaque negativo para a trilha sonora, não ela em sua totalidade, mas a porcaria da música irritante que toca no começo do filme e no final, como para sinalizar que o ciclo se fechou. É a mesma música que toca nesse trailer que postei aí em cima. É um porre, canta uma mulher de vozinha fina, que fica o tempo todo dizendo “Barcelonaaa…”. Hor-rí-vel.

Injusto dizer que “Vicky Cristina Barcelona” é uma porcaria. Definitivamente os caras vão adorar, já que tem duas mocinhas lindas se “pegando” (mais um clichê ultra óbvio). Mas é um embróglio difícil de entender. Sem objetivo, Woody parece dizer que Hollywood não tem nada mais a oferecer, que a vida não é feita só de finais felizes e que as coisas nunca são tão simples quanto os pipocões gostam de nos passar.

É um filme muito próximo da realidade e por isso tem seus méritos. Totalmente crível, mostra com que facilidade uma pessoa pode se ferrar na vida, mesmo tendo tudo que o dinheiro pode comprar. E se isso não é veracidade, então não sei o que é.

Se eu fosse dar uma nota, daria cinco. Mas não se deixem influenciar por mim. Assistam e dêem uma força ao “bom velhinho” Woody. Ele já teve seus dias de glória.

Anúncios

Written by Priscila Armani

quinta-feira, novembro 20, 2008 às 9:52 am

3 Respostas

Subscribe to comments with RSS.

  1. puxa!

    vc pegou pesado…
    o mais delicioso do cinema é ás vezes só contar uma história…
    se fellini continuasse hj em dia a fazer filmes seria talvez devorado por tantas críticas…

    woody é brilhante mesmo com caricatuas, esteriótipos e besteirol…
    vá assistir o filme de novo sem esse olhar tão feminista exagerado! o melhor vc não pegou!

    lu

    domingo, novembro 30, 2008 at 5:16 pm

  2. Sua visão de filme é extremamante preconceituosa … Woody Allen da un show de criatividade pra abordar um tema que pra maioria das mulheres é tabu … lembre-se sempre que ele é um judeu novayorquino muito bem retrartado na visão de Vick …

    Lyra

    domingo, dezembro 21, 2008 at 12:26 pm

  3. […] um comentário » Quando eu disse aqui que não gostei de “Vicky Cristina Barcelona”, choveram comentários me jogando pedra. Agora, estou correndo este risco novamente, ao postar a […]


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: