Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

Ralo fedido, filme bem feito

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Esse fim-de-semana tive o prazer de assistir “O Cheiro do Ralo“, filme brasileiro protagonizado por Selton Mello e baseado em livro de Lourenço Mutarelli.

O filme é uma viagem muito louca que, segundo o próprio autor, ele teve em cinco dias, durante um carnaval, em que não estava conseguindo entregar os trabalhos atrasados. Para quem não conhece, Mutarelli é um quadrinista paulista bastante talentoso e que já sofreu várias crises de síndrome do pânico. Como podemos vê-lo dizer com suas próprias palavras no DVD, o artista só se sente bem quando sabe onde fica a farmácia mais próxima. 

Podemos vê-lo atuando como o segurança que sempre usa vermelho nesse filme. Raras vezes vemos isso no cinema, um escritor que atua num filme que é baseado em sua própria obra. Em 90% dos casos, eles não estão “nem aí” ou estão “tão aí” que “descem a lenha” no filme ou em tudo relacionado a ele.

Mas o relacionamento do autor com o diretor Heitor Dhalia (que também fez o excelente Nina) e o ator Selton Mello é excelente e facilita muito as coisas. No Diário de Selton Mello, que compõe os Extras do DVD, vemos que a idéia de filmar a obra foi do próprio Selton e que o ator trabalhou muito para que o projeto fosse possível e ficasse fiel. Não li o livro ainda, mas parece ter funcionado. O resultado é, simplesmente, fantástico.

“O Cheiro do Ralo” conta a história de Lourenço, um rapaz que trabalha comprando todo o tipo de coisas e revendendo-as, ganhando muito dinheiro com isso. Na mente dele, o dinheiro lhe dá poder sobre as pessoas e ele acaba tratando tudo e todos como objetos, desde sua noiva (que ele não chama pelo nome, é apenas “noiva”) até a garçonete de uma lanchonete, pela qual ele não se apaixona, ele apenas fica louco pela bunda dela. Ou seja, de mulher ela passa a ser bunda na cabeça dele. Ele nem sabe qual é o nome da moça.

Além disso, ele fica com nojo e com fissura pelo cheiro do ralo de seu banheiro, que fede a… aquilo que você já sabe. Ele tenta se livrar do cheiro, até chega a cimentar o ralo, mas acaba se tornando “viciado” naquele odor imundo.

Surpreendente, envolvente e engraçado, o filme nos envolve e nos enoja, sendo uma obra prima de interpretação do Selton. Prestem atenção nesse cara. Se bobear, um dia ele nos traz um Oscar.

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Written by Priscila Armani

segunda-feira, setembro 22, 2008 às 1:08 pm

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