Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

“Os Desafinados”

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Leiam, abaixo, minha crítica sobre este filme, que está nos cinemas de todo o Brasil*.

Afinados sim, mas… talentosos não!

A Bossa Nova está fazendo 50 anos. Dentre outros eventos comemorativos, o filme “Os Desafinados” vem numa tentativa horrível mostrar a história de cinco músicos e um cineasta que fizeram parte desse contexto, enfrentaram os horrores da Ditadura e tudo aquilo que você já viu em novelas, seriados e outros programas televisivos sobre o tema.

A graça do filme está no personagem de Selton Melo, o cineasta Dico. Selton é um ator tão excepcional que consegue fazer qualquer personagem valer a pena. Ele acompanha os músicos, registrando tudo sempre com sua câmera. E transforma um personagem que poderia ser apenas apoio naquele que mais consegue impactar o espectador.

Surpreendentemente, Jair Oliveira, que nem ator é, também consegue transmitir sinceridade, até porque é o único da trupe que canta de verdade, sem playback.

O resto do elenco, uma porcaria. Rodrigo Santoro, como Joaquim, mostra que Hollywood pode ter estragado um ator que prometia muito. Neste filme ele é um protagonista que fala bem inglês e espanhol, mas nem de longe mostra a vitalidade que tinha em “Bicho de Sete Cabeças” ou até mesmo em “Carandiru”. Lágrimas falsas e atuação pobre.

E com duas protagonistas de dar dó. Alessandra Negrini conseguiu ser pior que nas novelas globais. Cláudia Abreu era apenas a “gostosa” do filme, sempre peladona e atuando como a amante loira. Quanto clichê.

Foi a primeira vez que vi as pessoas ligando o celular durante a projeção, para ver as horas, ansiosas por ir embora. Eu, particularmente, estava que não aguentava mais, doida pro filme acabar logo e curiosa para saber como um enredo que não saía do lugar iria evoluir num desfecho. A resposta: não evoluiu.

Foi a primeira vez que vi, também, as pessoas se levantando para ir embora, fulas da vida com o final, sem nem esperar o filme acabar direito. O filme conseguiu, inclusive, ter um dos piores finais da história do cinema brasileiro. Sério. Me deixa revoltada saber que a Ancine deixa de patrocinar bons roteiros e prioriza umas porcarias dessas.

*Este texto foi publicado originalmente no Opperaa.

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Written by Priscila Armani

sexta-feira, agosto 29, 2008 às 10:38 pm

Uma resposta

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  1. […] Veiga?”, de Guilherme de Almeida Prado – “O passado”, de Hector Babenco – “Os desafinados“, de Walter Lima Júnior – “O signo da cidade”, de Carlos Alberto Riccelli […]


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