Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

Uma mudança no conceito de Juventude

leave a comment »

O Apanhador no Campo de Centeio” (“The Catcher in the Rye”) é uma das obras mais malucas que já li. Extremamente simples e, ao mesmo tempo, bastante complexo, o livro descreve alguns dias na vida do adolescente Holden Caulfield, mas os acontecimentos são tão intensos que temos a impressão de estar lendo anos e anos de sua existência.

Caulfied começa a história contando sobre sua expulsão do colégio Pencey e descrevendo seu dia-a-dia com os colegas de quarto e amigos. A linguagem extremamente informal do livro, composta por gírias e narrativa em primeira pessoa, nos deixam mais perto dele. Acompanhamos sua fuga do colégio interno às vésperas do Natal e antes que seus pais saibam que ele foi expulso. E vemos o rapaz explorar as dores e delícias da noite Nova Iorquina.

Nessa caminhada rumo ao desconhecido, o falador Caulfied nos conta absolutamente tudo sobre todos. Se hospeda num hotel e é explorado por uma prostituta e seu cafetão, encontra uma namoradinha, entra em sua casa sem que seus pais percebam e chega perto de ser vítima de abuso sexual. Ou pelo menos imagina ter chegado perto.

Se você acha que contei tudo, está redondamente enganado. Não contei nem metade. Fumando, bebendo e cheio de pensamentos que o inebriam e deprimem, o pobre Caulfied é um capeta em forma de guri. O livro é tão bem construído que chegamos a duvidar que seu autor, J.D. Salinger, não fosse adolescente quando o escreveu.

Algumas curiosidades sobre a obra:

Mark Chapman pediu a John Lennon que autografasse uma cópia da obra e, no mesmo dia, assassinou o ex-Beatle.

– O bem-sucedido publicitário brasileiro Washington Olivetto sempre tem em sua casa dezenas de exemplares de “The Catcher in the Rye” para oferecer a amigos e conhecidos.

– O livro é considerado um marco inaugural nos estudos sobre a adolescência porque, antes dele chamar a atenção para este período da vida humana, essa fase era considerada apenas uma transição entre a infância e a fase adulta, não apresentando nenhuma importância para a sociedade. Antes do livro, os jovens não eram levados a sério.

– “O Apanhador no Campo de Centeio” é uma alusão aos versos de uma canção escrita pelo poeta Robert Burns. Caulfied é interrogado pela irmã sobre porque se “auto-destrói” daquele modo e porque não gosta de nada. Ele, angustiado, evoca a imagem criada por Burns, identificando-a como metáfora de sua aspiração: o garoto imagina um campo de centeio repleto de crianças brincando e gostaria de estar na borda do abismo apanhando as que corressem risco de cair.

-Depois de vender 15 milhões de exemplares e virar uma celebridade mundial, Salinger – notoriamente tímido e agressivamente modesto em relação a seu talento – isolou-se em uma casa no topo de uma montanha, em uma cidadezinha de mil habitantes. Depois diminuiu seu ritmo de produção (publicou seu último conto, “Hapworth 16, 1924”, em 1965, na revista The New Yorker) e cortou qualquer contato com a mídia. Não concede entrevistas, não se deixa fotografar e nunca permitiu que nenhum dos seus livros fosse adaptado para o cinema (assim como o próprio Holden Caulfield, Salinger odeia cinema). Em dezembro de 1997, o escritor, do alto de seus 78 anos, autorizou enfim o lançamento de seu quinto livro (justamente a publicação em capa dura de “Hapworth 16, 1924”), o primeiro em 34 anos.

Anúncios

Written by Priscila Armani

terça-feira, julho 22, 2008 às 11:43 pm

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: