Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

Dorian Gray

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Uma versão contemporânea de Dorian Gray

Uma versão contemporânea de Dorian Gray

Essa semana passou deliciosamente rápido porque gastei minhas noites lendo a bela obra-prima de Oscar Wilde, “O Retrato de Dorian Gray“. Extremamente atual, apesar de ser um livro do século XIX, este romance tornou o escritor conhecido internacionalmente, apesar dele ter sido desprezado durante muitos anos.

“O Retrato de Dorian Gray” conta a história de um inocente rapaz, Dorian, que se torna a fascinação de um pintor, Basil Hallward, que encontra nele seu ideal de beleza artística. Hallward pinta vários magníficos retratos do rapaz e seu amigo Lord Henry Wotton fica encantado com os quadros e Dorian. Assim que Henry e Dorian começam a conversar, Henry o torna ciente do quanto ele é bonito e lhe insufla idéias sobre como a vida deve ser aproveitada. Logo em seguida, Hallward pinta o melhor quadro do rapaz e a mais maravilhosa obra que faria em toda a sua vida. O adolescente expressa ardentemente seu desejo de que a obra envelheça em seu lugar e que ele possa conservar-se jovem para sempre.

O mais incrível é que, logo após Dorian tomar sua primeira atitute egoísta (influenciado por Henry), o retrato começa a sofrer as mazelas que o seu corpo sofreria. Acompanhamos a vida do rapaz e a sua “involução”, se tornando ele um homem cheio de vícios, maléfico, destruidor de almas e de vidas, com as mãos cheias de sangue por mortes que causou direta e indiretamente. E nos espantamos, assim como ele, que apesar do tempo e das suas terríveis ações o retrato envelhece, mas ele permanece belo, conquistando a todos e a si mesmo. Ele chega aos 50 anos como um Adônis, um belo Narciso que aparenta não ter mais de 20 anos. Algo de dar inveja a qualquer cirurgião plástico.  

Ao final, percebemos que entre ele e Narciso as diferenças são poucas. Ele colhe o que plantou. Mas lógico que não vou contar como. É um encerramento que considero perfeito, como poucos da literatura.

Pesquisando na internet, descobri que existe, para 2009, o projeto de um filme com a história deste livro. Posso adiantar que o filme não será superior ao livro. Porque? Por que sempre é assim, ora. Adoro a sétima arte, mas desde que o mundo é mundo não vi um filme baseado em livro que prestasse. Em 1970, tentaram filmar a história e, aparentemente, virou um bacanal. Também achei outros filmes e coisas feitas com a obra que fariam Oscar Wilde rolar no túmulo de raiva. Olha que interessante a primeira parte de um filme de 1945. Não tem absolutamente nada a ver com o livro.

Oscar Wilde era homossexual e ficou preso por dois anos acusado de abusar sexualmente de um rapaz. Talvez por causa disso, o início do livro é um pouco desencorajador, por demonstrar quase explicitamente duas paixões homossexuais, que são apenas insinuações e não se concretizam de maneira alguma. Quando digo desencorajador, falo isso para quem tem todo tipo de preferências: quem acha que vai encontrar homossexualismo, se decepciona e quem não quer encontrar precisa persistir um bom tempo lendo para perceber a real trama.

Por causa dessa abertura e das polêmicas teorias de Lord Henry Wotton, dificilmente qualquer filme será fiel à obra. Uma pena. Hollywood ainda não é corajosa o suficiente para o verdadeiro Wilde.

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Written by Priscila Armani

quinta-feira, julho 10, 2008 às 10:34 pm

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