Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

Lixornalismo

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Hoje, lendo jornal, me deparei com a famigerada matéria: “Mineiros fazem mais sexo do que cariocas“. Bom, mais uma matéria desse tipo. Ah, como estou cansada disso.

A tal matéria esclarecia que a USP fez uma pesquisa com homens e mulheres sobre suas vidas sexuais. Aparentemente, os homens disseram que em Minas Gerais a média de relações sexuais é de quatro vezes por semana (ha ha ha) e os cariocas disseram que a média deles é três. Ok, mas porque estou eu falando disso aqui?

Veja bem, o que me interessa uma notícia desse porte? Talvez seja uma boa curiosidade para comprovarmos que os homens mineiros são mais mentirosos que os cariocas (e como são…). Tem algumas cidades em Minas que são tão pequenas que nem motel tem. Acho difícil que uma meta dessas, bastante ambiciosa para alguns, seja facilmente alcançada por cada um dos mineiros. Mas isso nem é o mais importante.

O mais importante é, na minha opinião, saber porque uma porcaria dessas vai parar em jornais que se dizem de respeito. Os tablóides, ok. Eles falam de mulheres mortas na cozinha. Eles divulgam suicídios. Eles estão pouco se lixando. Eu não os leio. Mas me preocupo, porque custam a miséria de R$0,25.

Mas aí quando vários sites e jornais dão destaque para uma notícia de inutilidade pública dessas, eu me preocupo muito. Poxa vida! Tem milhões de coisas acontecendo no mundo! Cadê as notícias, mas eu digo as notícias de verdade? Cadê? Que isso…

Por isso, acredito que estamos vivendo a famigerada era do “lixornalismo”. Esse termo eu criei. Significa: tudo quanto é tipo de porcaria que é publicada em veículos de comunicação sob o rótulo de notícia. E, para mim, notícia é: tudo aquilo que contribui para o bem-estar e formação de opinião crítica dos cidadãos leitores e espectadores dos veículos de comunicação.

Tendo isso como base, reflita bem, você que está me lendo. Em quê contribui a “notícia” citada para o bem-estar e formação de opinião crítica de alguém? A resposta: para ninguém. A “notícia” aqui apresentada não é notícia. Porque não é jornalismo. É entretenimento. Esse fato apresentado, que mineiros fazem mais sexo e tal, serve apenas para entreter o leitor. Não o leva a nenhuma reflexão. Da mesma forma que uma mulher pelada ou um show de calouros também não leva. Isso tudo é apenas para entreter nosso lado animalesco. Que precisa ser entretido, veja bem. Nada contra. Mas se chamamos erroneamente algo dessa categoria de jornalismo, estamos praticando “lixornalismo”. E é esse tipo de prática que está levando o jornalismo de verdade à morte.

Francamente, estou cansada disso. Não queria que minha profissão morresse. Mas acredito que isso vai, tristemente, acontecer. E os jornalistas são os próprios assassinos e não sabem. Dizem besteiras do tipo: “estou dando ao público o que ele quer”! Ai, ai… quanta ingenuidade.  

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Written by Priscila Armani

quarta-feira, junho 25, 2008 às 10:40 pm

Publicado em Variedades

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