Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

Fim de semana clássico

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Este foi um fim de semana como poucos. Após descobrirmos a Filme Fácil e estarmos cientes de que ela está recheada de clássicos que queremos assistir (meu namorado e eu), fizemos ficha lá e alugamos três grandes filmes. Essas dicas de DVD não posso deixar de dar a vocês. Poucos filmes que vi na minha vida se comparam a esses três.

Difíceis de achar para alugar e/ou comprar e com conclusões que dão muito o que pensar, os três integram a lista da Bravo! dos 100 melhores filmes de todos os tempos e estão entre os dez primeiros. São eles: “Crepúsculo dos Deuses“, “O Sétimo Selo” e “8 1/2“. Acho que se dizer fã de cinema sem vê-los é uma mentira deslavada.

“O Sétimo Selo” é, sem sombra de dúvidas, o mais pertubador. Assim eu o acredito pela sinceridade da história e pelo que ela nos leva a questionar. O filme começa com o retorno do cavaleiro Antonious Block para sua pátria após ter ficado 10 anos lutando nas Cruzadas Religiosas. Quando ele retorna, a “Peste Negra” assola seus compatriotas e ele se questiona sobre a existência de Deus. Ele se vê face a face com a morte e a desafia a jogar xadrez contra ele, querendo ganhar tempo para um último ato de valor. Enquanto joga, tenta proteger uma família de saltimbancos, que prossegue feliz apesar de todas as mazelas. Seu questionamento sobre Deus é impressionante e quando a própria morte lhe nega uma resposta é realmente pertubador. O filme reflete os próprios questionamentos de Bergman sobre o catolicismo. O final é, bem, não vou entregar, mas é bastante perturbador. Esse filme você não acha nem para comprar. Imaginem, então, nossa felicidade ao vê-lo na locadora.

Trailer de “O Sétimo Selo”:

“8 1/2”, de Fellini, é a típica obra-prima. Não tenho como descrevê-lo. Um dos filmes mais sinceros que já vi. Um ritmo alucinante, difícil de acompanhar. E uma narrativa apaixonante, cheia de muita vida.

Marcelo Mastroianni dá vida a Guido, um diretor de cinema indeciso e passando por uma terrível crise de meia idade. Ele deve filmar, mas não sabe o que, não se decide sobre nada, além de ser atormentado pelas lembranças da infância perdida e criar inúmeras fantasias sobre como ele gostaria que as coisas fossem. Duas sequências desse filme são super famosas: a primeira é a rumba que a Saraghina dança (essa personagem é uma mulher meio doida, que as crianças adoram, incluindo o personagem de Mastroianni) e a segunda é o harém de mulheres que Guido monta em sua imaginação, todas elas tendo passado por sua vida de um jeito ou de outro. Tem desde a sua esposa até coristas e aeromoças! Engraçado demais… e o final do filme é um tesouro a parte. Destaque para a trilha sonora de Nino Rota, considerada uma das melhores que ele já fez.

A rumba da Saraghina:

E, por fim, “Crepúsculo dos Deuses”, o filme que fez Billy Wilder ser amado e odiado por muitos. Nele vemos uma contundente crítica a Hollywood e isso já nos anos 1950, hein? Pouca gente teve tanta coragem como ele.

Nesse filme, conhecemos Norma Desmond, uma atriz de cinema mudo que foi esquecida pelas multidões depois que os diálogos passaram a ser introduzidos no cinema. Norma mora numa mansão enorme, vazia e mal cuidada que fica na Sunset Boulevard, uma das ruas mais famosas de Hollywood. Ela pede a ajuda do roteirista Joe Gillis para adaptar um roteiro que escreveu e nisso o roteirista percebe a oportunidade de se aproveitar de uma mulher mais velha e cheia de dinheiro, mas que ele não sabe ser extremamente pertubada. Quando descobre, tarde demais. E ele se deixa enredar pela atriz e pelo seu dinheiro. Já ouviu dizer que “dinheiro não traz felicidade”? Pois é.

Destaque para a tomada inicial do filme, que mostra o “ponto de vista do peixe”, com uma tomada de dentro da piscina. Detalhe: em 1950 não havia equipamento algum para se filmar embaixo d’água. Como conseguiram tla proeza então? Mistérios do cinema… Bem, os extras do DVD mostram como, mas eu é que não vou contar. Um filme essencial para percebemos que a fama não é para sempre. Ensina bastante humildade a muitas pessoas.

Trailer de “Crepúsculo dos Deuses”:

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Written by Priscila Armani

domingo, junho 22, 2008 às 10:58 pm

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