Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

CQC e o jornalismo que agoniza

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Na última segunda-feira, 09 de junho, fiquei realmente surpresa com o programa da TV Bandeirantes, o CQC, que estava passando e eu nunca tinha assistido em sua totalidade.

Minha supresa veio do fato de que me deparei com uma matéria do humorista Rafinha Bastos que era, simplesmente, sensacional! O quadro se chama “Proteste já”. E a matéria não era humorística não… era jornalismo! Pasmem… nem sei se aquele cara era jornalista formado mesmo, mas, enfim… fiquei boba!

Ele estava falando de superfaturamento de merenda escolar em Mairiporã, cidade que fica no estado de São Paulo, e entrevistou o prefeito da cidade, entrevistou todos os envolvidos e fez o trabalho direitinho. Ouviu todas as fontes e contribuiu, por meio de sua denúncia, com o Ministério Público, que está abrindo processo para investigar o caso. Fazia tempo que eu não via algo assim acontecer, sabe? Com bom humor e ética, ele soube abordar o assunto. E isso me encheu de esperanças de que o jornalismo ainda possa existir daqui a 20 anos.

Mas CQC é jornalismo? Eis a questão. Mas, além desta, trago outras questões ainda mais polêmicas:

1.Sensacionalismo é jornalismo?
2.Será que se a Globo faz uma matéria ela é jornalística e se o CQC faz é humor?
3.Coberturas exageradas de casos sangrentos como o Nardoni e o do austríaco que trancou a filha são necessárias? 
4.O jornalismo deve formar ou informar cidadãos?
5.Onde está o limite entre jornalismo e showrnalismo?
6.O que é notícia? O bom? O bizarro? O que tiver os melhores ângulos?

Acredito que estamos numa crise sem precedentes do jornalismo e isso por um motivo bem simples. A maior parte dos jornalistas não consegue, em seu dia-a-dia de apuração, responder à essas perguntas. Virou um verdadeiro pandemônio. Todo mundo é comunicador, mas, ao mesmo tempo, ninguém é. A balbúrdia predomina e as pessoas, lógico, não tem tempo de digerir tanta informação. E a informação veiculada tem sido da pior qualidade.

Aqui em Belo Horizonte temos duas publicações sensacionalistas: Super e Aqui. São de embrulhar o estômago. E custam R$0,25. Todo mundo lê. Por causa da qualidade? Obviamente não. O sucesso do jornal se deve aos R$ 0,25. Fico torcendo pro preço subir e todo mundo falir. Mas não sobe… uma pena. Eles não são tão burros assim.

Fico me perguntando como será o futuro do jornalismo se um gigante como a Globo está perdendo a majestade, os jornais de qualidade estão falindo e as pessoas preferem assistir ao Youtube e alugar filmes do que saber das notícias.

Mino Carta disse, em uma entrevista recente, que acredita que o jornalismo brasileiro não tem futuro porque os jornalistas acham que o público é burro. Eu assino embaixo. E digo mais: os jornalistas acham que conhecem o público. Doce ilusão. Talvez Steve Jobs esteja mais perto disso que nós. 

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Written by Priscila Armani

terça-feira, junho 10, 2008 às 8:01 pm

Uma resposta

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  1. […] o que este blog já escreveu sobre o CQC aqui. Etiquetado como:Band, CQC, publicidade, Top Five « Alice […]


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