Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

Brazil – o filme

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Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, Brazil não é um filme sobre nossa bela nação tupiniquim. Lançado em 1985, este filme foi dirigido por Terry Gilliam, que é mais conhecido por seus trabalhos no grupo de humor britânico “Monty Phyton“.

Gilliam (que também escreveu o roteiro) concorreu ao Oscar de melhor roteiro original com Brazil e este foi o segundo filme que dirigiu. Durante as filmagens, o diretor ficou tão tenso que teve um problema bem sério: perdeu temporariamente o movimento das pernas, ficando semanas sem andar. Outra tensão que enfrentou foi quanto ao título do filme. Queria que se chamasse “1984 1/2”, uma homenagem ao clássico escrito por Orwells e ao clássico 8 1/2, de Fellini. Mas acabou tendo de desistir desse nome, colocando o título de Brazil na obra por motivos que ninguém sabe ao certo.

Isso porque o filme Brazil trata de uma sociedade futurista, que não é identificada, e cujo funcionamento depende de uma enorme burocracia, onde papéis valem muito mais do que vidas. Para tudo se tem um formulário, inclusive para entes queridos mortos. Há, ainda, uma onda de ataques terroristas, que é supostamente suprimida por meio de prisões e mortes arbitrárias. Prisões desumanas (as pessoas são colocadas em “sacos”) e mortes que não existem (o corpo desaparece e ninguém sabe, ninguém viu), além de uma disparidade social grande.

A descrição que passei parece com nosso país? Aí é que está a questão. Várias vezes no filme é usada a música “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso e aparentemente é por isso que a obra foi nomeada Brazil. Outra justificativa para o nome: o mundo onírico criado por Gilliam, onde o personagem Sam Lowry (Jonathan Pryce) fica em seus sonhos, teria esta música como sua trilha sonora devido ao caráter “paradisíaco” de nosso país. Será? Ninguém sabe. Eu, particularmente, identifico na burocracia do filme a nossa burocracia e nas torturas a nossa ditadura militar. Mas Gilliam nunca disse que sim nem que não.

Mas, esclarecendo para quem ainda não viu, Brazil mostra uma sociedade futurista, na qual vive Sam Lowry, funcionário do governo, que constata um erro em uma prisão e a morte de um inocente. Ao constatar o engano, tenta consertá-lo, mas logo percebe que o mal está feito e sofre crises de consciência. Nesse meio tempo, sonha com uma mulher desconhecida (quase todos os personagens de Gilliam sonham com mulheres antes de conhecê-las) e a identifica como a vizinha do homem morto por engano. Sam se mete em tantas confusões tentando consertar tudo que o sistema onde sempre trabalhou e no qual sempre viveu acaba se voltando contra ele.

Destaque para a atuação de Katherine Helmond, que faz a mãe de Sam. Ela consegue ser perfeitamente irritante e intrometida, sendo omissa na hora que o filho mais necessita. Robert De Niro, como Tuttle, também desempenha bem seu papel, mas quando o filme acaba ficamos nos perguntando onde ele foi parar.

Este filme é uma viagem completamente maluca. O que Gilliam tomou, fumou ou cheirou para fazê-lo não sei. Mas não fez muito bem pra cabeça dele não…

E, como de praxe em filmes excepcionais, no happy end. O filme nos deixa com bastante em que pensar.

Dica do dia: Ouça “Aquarela do Brasil“, de Ary Barroso.

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Written by Priscila Armani

quarta-feira, junho 4, 2008 às 5:27 pm

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