Priscila Armani – Jornalista

Cinema, cultura, mídia e variedades nas palavras livres de uma jornalista.

Um século à frente

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Difícil esquecer um filme como “Metrópolis“, de Fritz Lang. Até porque é difícil sequer achá-lo em uma locadora. Eu e meu parceiro não achamos em lugar nenhum. Tivemos de comprá-lo.

Depois da saga para comprá-lo (também não foi fácil achá-lo à venda), finalmente assistimos. Esqueça tudo o que você conhece de cinema contemporâneo. “Metrópolis” derruba facilmente qualquer conceito que você conheça.

Primeiro, porque foi uma das mais ousadas empreitadas cinematográficas do século XX. Filmado em 1927, “Metrópolis” retrata uma cidade futurista, com arranha-céus que não se diferenciam muito dos que enxergamos pelas nossas janelas nos dias de hoje. 

Estando um século à frente, Lang fez um filme mudo e em preto e branco que coloca no chinelo muita produção hollywoodiana cheia de cores e efeitos especiais.

Metrópolis é dividida entre dois povos: a classe trabalhadora, que não possui direito a cultura ou descanso, e a classe rica, que desfruta dos prazeres e mora “na superfície”, por cima das máquinas e da massa de trabalhadores submissa que as controla. Jon Fredersen foi o criador e idealizador da cidade, mas seu filho, Freder, fica perturbado quando se confronta com a realidade triste da classe trabalhadora. Em busca de conhecê-los melhor, Freder se mete em muitas confusões e troca de lugar com o trabalhador 11811. Na cidade subterrânea, conhece Maria, uma doce jovem que ensina aos operários a importância de se buscar um mediador que equilibre a situação entre os dois povos.  

Freder e Maria, claro, se apaixonam, mas ela é sequestrada por Rotwang, um inventor maluco que cria uma máquina andróide (o primeiro robô do cinema!) e faz com que esta tenha as mesmas feições e corpo de Maria. Fredersen quer que o andróide semeie a discórdia entre os trabalhadores, para ter uma desculpa para atacá-los. Mas Rotwang usa o andróide para incitar os trabalhadores a se revoltar, porque odeia Jon Fredersen (ele roubou sua mulher amada, Hel) e quer o fim da cidade. Daí em diante o caos impera e não conseguimos mais desgrudar os olhos da TV.

Com atuações dignas de Oscars e Globos de Ouro (ambas premiações ainda não existiam na época), o filme alemão é marcante, emocionante, um drama bom em qualquer época, cujos problemas da restauração não o impedem de ser, simplesmente, uma verdadeira obra-prima. A lição que ele nos passa é, até hoje, muito difícil de ser absorvida por inúmeras pessoas. “Não pode haver entendimento entre as mãos e o cérebro se o coração não agir como mediador”. E até os dias de hoje podemos contar nos dedos os poucos mediadores que tivemos. Uma pena.

Curiosidade: Este era um dos filmes preferidos de Adolf Hitler. Não deixa de ser engraçado isso. Hitler tinha coração? Onde?

Aí vai um pedacinho da transformação de Hel (a andróide inspirada na esposa de Fredersen) em Maria:

Dica do dia: Saiba mais sobre o grande trabalho de restauração por detrás desse DVD contemporâneo de “Metropólis” e entenda como os interesses comerciais acabaram por destruir o filme original.

Atualização: Em Julho de 2008 foi descoberta na Argentina uma cópia intacta do original de Metrópolis. Saiba mais.

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Written by Priscila Armani

quinta-feira, maio 22, 2008 às 11:00 pm

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