Alain Resnais brinca com o espectador em As Ervas Daninhas
Em sua nova obra, As Ervas Daninhas, Alain Resnais permanece fiel à Nouvelle Vague, movimento contestador de cineastas que foi especialmente forte nos anos 60 e cuja principal característica permanece sendo a busca por filmes que fujam da corriqueira linearidade narrativa. O diretor ainda é o mesmo de Hiroshima, Meu Amor e O Ano passado em Marienbad (este último sendo completamente ininteligível). Seu objetivo é a poesia visual, a forma em detrimento do conteúdo, a exploração de possibilidades de imagem. Com este filme, ele nos relembra que uma poesia precisa ser sentida, não entendida.
E assim é este longa, sem princípio meio ou fim bem definidos. Nos primeiros minutos de filme, há a expetativa de um enredo comum, quando somos apresentados à história de Marguerite Muir (Sabine Azéma), uma mulher que vai comprar sapatos e é assaltada na saída da loja. Depois, ele nos mostra Georges Palet (André Dussollier) encontrando a carteira com os documentos dela. Coloca um pouco de suspense, uma trilha dramática e constrói para o público duas percepções de personagens bem definidas. Não demora muito mais do que 30 minutos para destruir tudo.
Merece destaque o papel que a repetição merece no filme. O diretor coloca várias vezes, sistematicamente, de tempos em tempos, uma série de imagens, especialmente a de ervas daninhas. Elas nascem no asfalto, no solo, chega a haver um campo cheio delas! E também temos flashes da bolsa flutuando no ar, sendo levada pelo assaltante; da carteira sendo encontrada, os fluxos de pensamentos em tela dividida e a imagem de Palet andando para trás, de costas, em direção a um cinema onde assistiu a um filme, como se ele estivesse voltando no tempo. Essas cenas funcionam de forma “curinga”: em certos momentos “empurram” a trama pra frente, em outros mostram as passagens do tempo.
Outro elemento importante é o narrador, cuja fala se mistura frequentemente ao fluxo de pensamento dos personagens. No caso de Palet, por exemplo, a voz dele chega a se misturar com a do personagem, especialmente no início, quando ainda desconhecemos qual voz tem o ator. Daria para pensar que o filme todo está sendo narrado pelo protagonista, apenas tendo como base essas primeiras cenas. A narração é bastante excessiva em algumas partes, chegando a incomodar. Felizmente, mais pro final da história, ela diminui gradualmente. Sua função é de nos informar sobre certas peculiaridades do enredo. Mas ela também serve como mais uma ferramenta do diretor para nos enganar.
Resnais também usa a forma de apresentação dos personagens para criar expectativa. Ele nos apresenta Marguerite mostrando apenas seu pés e depois a mostrando de costas. Só muito depois de já estarmos familiarizados com ela, vemos seu rosto, brevemente, enquanto toma banho. O mesmo acontece com Palet, mas demoramos menos a ver seu rosto. Peculiar observar que, quando ele vê as fotos de Marguerite nos documentos, nós também somos privados da visão dos retratos. Ou seja, também não temos acesso à primeira imagem que o protagonista tem da personagem.
O diretor de fotografia usa bastante o movimento de câmera para ajudar Resnais a construir seu poema visual: plongéé, contra plongéé, travelling e o primeiríssimo plano marcam presença em diversos momentos. Também percebe-se que, em algumas ocasiões, o cenário foi composto de uma forma que evidencia o cuidado da obra com a beleza do que se está na tela. Muitos objetos preenchem o quadro, especialmente sapatos, relógios e pianos, criando um efeito muito peculiar. A casa de Marguerite também é uma obra prima visual, com mobília e quadros que mostram a afeição da personagem pelas cores e formas imprecisas. Quase no final do filme, somos surpreendidos com belas imagens de paisagens, cuja função é mais estética que narrativa.
A trilha sonora também é um destaque a parte, mas negativo porque em muitos momentos é excessivamente alta e se sobressai nas cenas, sendo muito mais chamativa do que a ação que se está passando. A ideia, ao que parece, é sermos chamados a perceber essa música, como que um lembrete de que estamos assistindo a uma obra de ficção. Essa ideia fica ainda mais evidenciada nos momentos em que toca o conhecido tema da 20th Century Fox, uma música curta, mas que nos é tão conhecida que é impossível levar qualquer tentativa da narrativa de ser levada a sério depois que ela toca várias vezes. Há uma parte em que, inclusive, toca essa trilha e a palavra Fim pisca na tela ostensivamente. Uma brincadeira com o espectador.
Sim, o objetivo de Resnais é nos chamar para brincar com ele, mas mesmo assim não deixamos de encontrar seriedade em partes de sua mensagem. É um poema que explora aquilo que é incompreensivo, mas também deixa um leve entendimento, uma pequena luz, especialmente quanto ao romance que acontece na obra. É um amor louco, semelhante a uma erva daninha, que nasceu em local e momento indesejado pelos dois personagens. Talvez mais indesejado por Marguerite, claro, o que torna as coisas ainda mais confusas. Tudo são apenas hipóteses. Quando se trata desse diretor, nunca se sabe.
Tokyo!
Sim, este blog está às moscas e o motivo principal são os inúmeros afazeres pessoais. Nesses últimos três meses minha vida pessoal virou de pernas pro ar e ainda estou me adaptando, quem quiser saber porque, dá uma fuçada aqui.
Desde que fiz o curso do Pablo Villaça tenho feito pro Mondo BHZ uma série de críticas de cinema que, se ainda não forem totalmente “críticas”, pelo menos creio que estejam indo pelo caminho certo. Gostaria de compartilhar a mais recente delas com vocês (ainda tem alguém aí que me lê?) e quero um feedback. Dêem uma olhada abaixo. O texto refere-se a Tokyo!, filme dirigido por Michel Gondry, Leos Carax e Bong Joon-Ho e também pode ser lido no site.
Três cidades em uma só são reveladas em Tôkyô!
Uma cidade, três perspectivas. Assim nos é colocada a proposta de Tôkyô!, filme cujo conteúdo dialogaria, de maneiras diversas, com a capital japonesa. Isso acontece, inevitavelmente. Mas o que Michel Gondry, Leos Carax e Bong Joon-ho acabaram fazendo foi ir um pouco além disso.
O primeiro filme, dirigido por Gondry, foi batizado curiosamente de Interior Design e é uma adaptação da história título da HQ Cecil e Jordan em New York, lançada por Gabrielle Bell em 2008. Bell é uma cartunista americana pouco conhecida aqui no Brasil, mas seu estilo surrealista e melancólico dialoga bem com o trabalho do diretor francês, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original como co-roteirista do filme Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. No seu currículo, também estão os filmes Rebobine, Por Favor e A Natureza Quase Humana. Quando dirigia vídeo-clipes, seus trabalhos mais relevantes foram para os artistas Björk, Beck e The White Stripes.
Sem esse panorama que desenhei, ficaria impossível para qualquer espectador entender a história que se passa em Interior Design, onde a sensação de estranheza não nos deixa quando ele acaba. Hiroko (Ayako Fujitani) e Akira (Ryo Kase) são um jovem casal que chega em Tóquio com esperanças de melhorar de vida. Ele é um cineasta, que quer fazer seu filme dar certo. Ela é uma jovem sem vocação, que não sabe o que quer da vida. Eles são acolhidos temporariamente num apartamento pequeno pela amiga Akemi (Ayumi Ito), até que arrumem um lugar para viverem.
Gondry usa um longo plano sequência para nos contar da angústia da personagem em não saber qual é sua vocação. Outro momento interessante do filme é quando ela procura um apartamento e, em meio a sua busca, acha um quarto em estilo cubículo, que é focalizado do lado de fora pela câmera, junto com tantos outros milhares, mostrando como a precariedade de sua situação é compartilhada por tantos outros japoneses. Quando seu carro é guinchado e vemos muitos outros carros no pátio da Polícia, entendemos que esta é uma Tóquio em crise. Apesar de tudo, a solidariedade ainda é percebida em pequenas atitudes, especialmente a do ajudante do depósito.
Mas o diálogo com a cidade acaba não progredindo muito além disso. Inevitável pensar que o desfecho deste pequeno filme poderia ter sido outro, levando em consideração a proposta inicial. Não há como o espectador desavisado não se espantar com um tão gritante Deus ex machina. Mas isso é para quem não conhece a história da HQ. Para quem sabe como termina, está tudo muito bem e Gondry conseguiu ser bastante fiel ao trabalho de Bell.
Já em Merde, Leos Carax usa o caos para dialogar com a capital japonesa. O diretor do polêmico Pola X, que foi apenas ator nos últimos três longa-metragens, retorna para detrás das câmeras contando a história da criatura que se auto intitula Merde (Denis Lavant), um homem bizarro, que gosta de andar na rua agredindo as pessoas. No plano sequência inicial do filme, vemos a criatura arrancando plantas, espantando as pessoas, comendo dinheiro e até mesmo lambendo o braço de uma adolescente. Ele vive nos esgotos e lá encontra achados inusitados como, por exemplo, um tanque de guerra e armamentos. Interessante observar como, através desses achados, o cineasta dialoga de maneira sutil com a história recente japonesa, suas guerras e seus conflitos.
Outra parte curiosa da história é quando acontece um julgamento em três línguas e a tela se parte em três, às vezes quatro pedaços. Provavelmente intencionando dar destaque simultâneo aos três personagens que falam, o diretor se vale desse interessante ferramenta, que não é constante, mas vai se alterando de acordo com o desenrolar dos acontecimentos. Em certo ponto, só fica um quadrado em tela, que depois se desdobra em dois, três. A quantidade depende de como evolui a narrativa.
Ironicamente, esse segundo pedaço do filme é o mais caótico (há até mesmo um médico anão, o cúmulo do bizarro), mas chega a ter mais sentido, em sua própria lógica, do que a primeira história. E nisso incluo até mesmo o barulho da gaivota, que acompanha constantemente Merde quando sai do bueiro de esgoto.
Finalizando, temos o mais poético dos três filmes, Shaking Tokyo, dirigido por Bong Joon-ho, cujo principal sucesso de sua curta carreira foi O Hospedeiro, filme de 2006 que é estrelado por uma criatura no melhor estilo “monstro do Lago Ness”. Essa última história mostra o cotidiano de um hikikomori, um homem isolado em sua casa há 10 anos, que não tem contato com ninguém a não ser pelo telefone, quando pede comida; e pelas cartas do pai, que lhe manda dinheiro. Seu cotidiano é pontuado pelas refeições, por suas idas ao banheiro e por sua leitura diária. O homem estoca tudo que precisa: água, papel higiênico e até mesmo as caixas das pizzas que come aos sábados. Completamente isolado, ele sequer faz contato visual com os entregadores.
O diretor usa, com sutileza, a fotografia como um personagem a mais da história. Há um significativo contra-plongée do sol, para mostrar o sufocamento do homem pela vida social. Também há bastante sol dentro da casa, no qual o protagonista presta atenção e gosta de admirar. E, num momento dramático, a luz é estourada propositalmente, para nos mostrar o estranhamento, medo e incômodo que ele está sentindo. Ao final, nos dois primeiríssimos planos, novamente vem a luz do sol, dessa vez traduzindo, de maneira poética, um novo começo.
Merece ser citado também como se prestou atenção nos mínimos detalhes da concepção do protagonista. Sem que seja preciso dizer mais do que o necessário sobre seu isolamento, ele nos é apresentado através de significativas imagens como a casa completamente tomada pelo mato, o tênis com aranhas, a bicicleta enferrujada e, especialmente, as inúmeras pilhas de alimentos, garrafas d’água, livros e papéis higiênicos, que ocupam praticamente o interior da residência inteiro.
Pode-se considerar o filme Tôkyô!, assim como a própria cidade, uma pluralidade de perspectivas, de sentimentos. São três filmes em um, que se ligam entre si pela análise da metrópole através de seus habitantes. E, indo além do diálogo proposto, os cineastas conseguem construir, por meio de suas narrativas, um novo significado, partindo do particular para o universal. Cada uma das histórias começa nessa capital. E acabam indo muito além da imaginação humana.
Luluzinhacamp em BH!

Foi ótimo o Luluzinhacamp aqui em Belo Horizonte. Conheci uma galera de gente legal e diferente. O encontro foi no último sábado à tarde, no restaurante Mosteiro. Curti o encontro, apesar de ter ido lá morrendo de vergonha.
Sou uma pessoa ultra tímida. Então acabei não sendo das maaaais falantes. Queria ter falado a respeito dos sites, mas, ao contrário do que pensei, o encontros não teve assuntos específicos ou programação, como os de São Paulo e Rio sempre tem. A gente chegou lá, sentou e conversou. Tipo ir pro boteco e jogar conversa fora.
Isso deixou as coisas um pouco complexas pra mim, já que não houve uma apresentação de quem era cada uma. E um montão de mulher falando ao mesmo tempo! Guardei o nome de algumas, outras agora conheço de rosto e não sei o nome e ainda tem aquelas com as quais não tive como conversar, porque estavam longe. Foram umas 15 pessoas! Muito acima das minhas expectativas!
Gostei muito, apesar de ter querido participar um pouco mais. E ganhei dois brindes fan-tás-ti-cos! Um é o livro da Milla Mathias, “Quem disse que você não tem nada para vestir?” e o outro foi uma camisa muito fashion, com o trabalho do Andy Warhol que ilustra a capa do Velvet Underground, a famosa banana, que coloquei aí no topo do post. Apesar da Amanda ter me dado o bolo, os meus dois presentes tem a ver com moda. Quem diria?
Então agora as garotas estão falando de fazer um amigo oculto e se encontrarem novamente. Acho ótimo! Espero ter outra oportunidade de rever essas meninas legais e, quem sabe, conseguir me articular com todo mundo! E falar dos sites, dos problemas ambientais que me incomodam, conseguir anotar algumas coisas, trocar receitas… seria bacana demais!
Érika Machado, Godard, Humberto Mauro, curso do Pablo Villaça e Encontro de Twitteiros
Muito movimentada foi e está sendo ainda essa semana. Um zilhão de coisas para fazer e ainda estou furando um pouquinho do meu tempo para escrever aqui. Mas não resisto. Me divirto um bocado com o blog.
Na quarta-feira (dia 11/11) foi lançamento do CD da Érika Machado no Teatro Alterosa, cantora que eu simplesmente amo! Entrevistei ela pro Mondo BHZ e ela foi super simples e simpática. Adoro gente assim, humilde. E o som dela é fan-tás-ti-co. Quem não conhece, precisa conhecer. Escutem um pouquinho do trabalho dela no site. Vocês vão se apaixonar! Ela e o som dela são muito cativantes.
Ainda na quarta, me matriculei no curso do Pablo Villaça. Lembra que eu falei desse curso há quase um ano? Ele está acontecendo em BH de novo. E dessa vez eu não dei bobeira! Já me matriculei. Vai acontecer de 30 de novembro a 04 de dezembro, à noite. Só recebi referências boas. E sei que vou curtir adoidado.
E falando em cinema, esse fim-de-semana vai ser movimentado para os amantes da sétima arte. Na Casa do Baile, começa no sábado (14/11) a programação do Filme no Baile, que nesse mês contempla ninguém menos que Jean-Luc Godard, grande cineasta francês que é praticamente uma unanimidade quando se trata de cinema. E no Cine Humberto Mauro teremos a mostra A Perseguição no Cinema, que traz quatro filmes clássicos e um seminário com a filósofa francesa Marie-Jesus Mondzain. Dentre os filmes exibidos estão O Mensageiro do Diabo, de Charles Laughton; e Os Pássaros, do grande Hitchcock. Tudo gratuitamente. Dessa vez não tem desculpa pra não sair de casa e pegar um cineminha!
E, para completar, no Domingo tem o primeiro Encontro de Twitteiros Culturais em Belo Horizonte. Irei, junto com meu marido, representando os sites. O objetivo desse encontro é promover um debate saudável entre os twitteiros de BH que usam o twitter como uma ferramenta de divulgação cultural. O Encontro vai acontecer às 16hs no Status Café. Nesse link no início do parágrafo tem mais detalhes, caso você tenha se interessado.
Ainda não me segue no Twitter? Tá dando bobeira… Meu endereço é twitter.com/priskka e os endereços dos sites são twitter.com/opperaa e twitter.com/mondobhz. Segue a gente pra saber do melhor em programas culturais em BH!
Beijos!
A Ironia da Uniban

Na foto, Leila Diniz, que chocou o país inteiro ao ir pra praia de biquini grávida. Parece que não mudou muita coisa de lá pra cá...
No meu MP3, em qualquer emissora que eu coloco, tá rolando um debate sobre a absurda decisão da Uniban de expulsar Geisy, a aluna que foi quase linchada por colegar por usar um vestido curto dentro do campus.
Isso em uma universidade, local em que, teoricamente, você deveria ter liberdade para o debate, o ir e vir, a convivência, enfim, um local historicamente mais “liberal” que um colégio de freiras, digamos assim. Quem já fez faculdade entenderá do que eu estou falando…
E não me venham com argumentos do tipo “ela provocou” ou “ela estava expondo as partes íntimas”. Isso é balela!
Nenhum tipo de violência, na minha opinião, se justifica. Justificar atos de vandalismo, agressões, tortura, isso é coisa que só gente estúpida faz. Normalmente o tipo de gente que já tentou justificar era adepto de, por exemplo, hummmm… vejamos… o NAZISMO ou a DITADURA MILITAR. Entende o que quero dizer? Não tá certo. E ponto final!
É muita ironia que alguém venha falar de moral e de “expor as partes íntimas” no Brasil, onde deputado bate ponto e vai viajar ao invés de trabalhar, só se vê mulheres semi-nuas na televisão e temos de colocar as crianças pra dormir antes das 17hs porque novela global só tem cena de pegação. Isso sem mencionar a qualidade dos programas que são exibidos de tarde…
Detalhe: a faculdade está usando isso para se auto-promover. Não tem nada de bons costumes nessa jogada não. Eles estão se valendo do escândalo. Não tem outro motivo para expulsarem ela. E isso é fato. Do contrário, eles não patrocinariam o Pânico na TV!, programa com o maior número de bundas por metro quadrado da TV brasileira.
Na minha opinião, é tudo uma questão de escolha. Não curte o programa? Muda de canal. Não quer ver as partes íntimas da colega, vá à diretoria. Sinceramente, não acho que essa menina seja a “galinha” que estão pintando por aí. Do contrário, o chefe dela não teria dito que ela é excelente funcionária e que as portas do estabelecimento onde trabalhava estão abertas para quando ela quiser voltar.
Enfim, essa é a MINHA OPINIÃO. E esse é um espaço livre para vocês opinarem. Fiquem à vontade.
O pipoqueiro, Luiz Ruffato e a sorte
Ontem (04/11) conheci, juntamente com meu marido, o Luiz Ruffato. Ele é, simplesmente, uma gracinha. Não há palavra melhor para definí-lo. Um homem nobre, humilde, extremamente simpático. Que fez o meu marido muito feliz e até mais fã dele do que era antes. Daqui a pouco conto porquê.
Antes, preciso dizer que não existe nada mais gostoso no mundo do que ajinomoto com pipoca! Siiiim! É algo simplesmente fan-tás-ti-co! Antes de ir à Biblioteca Pública passei num pipoqueiro que fica ali perto e fiquei de cara com ele. O mérito dessa descoberta devo todo ao seu carrinho de pipoca super diferenciado. Ele usa um casaco onde se lê “n°1″ e oferece pipoca de vários tamanhos e preços: um real, dois reais, três reais. Além disso, ele oferece pipoca com bacon e com queijo. E tem uma variedade de temperos para se colocar na pipoca, dentre eles o ajinomoto. Comprei uma pipoca comum e coloquei o tempero… Ai, pra que? Agora mal posso esperar por comer de novo! Vou ter de ir num supermercado urgente comprar o negócio pra colocar na pipoca! É um manjar dos deuses! Ainda mais pra mim, que sou super viciada em pipoca!
Além da pipoca, ele também tem diversos tipos de balas coloridas, fugindo do lugar-comum de vender aquele coquinho apenas. É o pipoqueiro mais diferenciado que já vi em BH! Ele merecia uma matéria. Vai aí a dica pro pessoal da piauí ou pra quem mais tiver interesse num personagem legal como ele.
O pipoqueiro faz um link importante com o Ruffato porque o pai dele, pasmem, era pipoqueiro. Mineiro de Cataguases, a mãe era lavadeira e ele se formou como torneiro mecânico antes de fazer Comunicação na Universidade Federal de Juiz de Fora. Escritor há pouco tempo (6 anos), já ganhou inúmeros prêmios de literatura nacionais e internacionais. Sua obra de maior repercussão até hoje, Eles Eram Muitos Cavalos, foi resenhada pelo meu marido e é um de seus livros preferidos. Ontem ele lançou em BH, pelo Sempre Um Papo, sua nova obra: Estive em Lisboa e Lembrei de Você.
Chegamos cedo, vimos o Ruffato lá, super acessível e ficamos com vergonha de falar com ele. Ao final do debate, meu marido criou coragem e fez uma pergunta pra ele, que foi super legal. Teve o sorteio de um exemplar do livro e adivinhem quem ganhou? Ele mesmo, que tinha acabado de perguntar. O Ruffato autografou, pegamos o e-mail dele, e ele foi super simpático, “gente como a gente”, sabe? Abraçou meu marido e até a mim! E me colocou na dedicatória do livro. Nem precisava! Foi muita sorte, tanto ter ganho o livro quanto conhecê-lo.
Simplesmente um cara como poucos. E detalhe: sabe como ele se relaciona com o mercado editorial? Via pagamento! Cito aqui palavras dele: “Quer que eu faça isso pra você? Me pague! Porque tem de ser de outra forma? Eu não tenho problemas com o mercado editorial. Todo mundo que está nele, que eu conheço, está bem de vida. Então porque não me pagarem pelo meu trabalho? Eu quero ganhar dinheiro fazendo o que gosto e quero ganhar muito! Não tem problema nenhum, de onde eu vim, em ganhar dinheiro honestamente. Tem gente que diz que não quer ganhar dinheiro com arte. Pois eu quero! Qual o problema? Eu vivo de literatura. E tenho de pagar contas. Por isso, comprem meu livro!”
E eu repito: qual o problema de ganhar dinheiro? Sim, sou mais o Ruffato que o Salles. Quero ganhar dinheiro honestamente. E pagar minhas contas. E se for com cultura então, melhor ainda.
Ontem eu vi o João Moreira Salles…
Meu povo amigo, voltei!
Não, não morri! Ainda tem alguém aí? Não sei! Espero que sim! Porque agora é que vem a grande virada deste blog…
Depois de tanto tempo, decidi que vou mudar o formato deste meu “veículo”. Decidi abolir completamente tudo que já fiz antes. Já fui autoral, já peguei conteúdo do Opperaa e do Mondo BHZ, já peguei conteúdo de outros sites.
Agora, serei, simplesmente, autoral. Isso vai dar um trabalhão danado! Mas não tem jeito… Mesmo atualizando menos, tenho que ser eu mesma. Cansei do lugar comum. E de ficar recortando notícia. Não estava acrescentando nada a ninguém.
Espero que vocês me acompanhem nessa jornada em busca de mim mesma…
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Ontem (03/11) eu fui no Teatro Ney Soares, no Uni-BH, ver o João Moreira Salles. Ele é um cara legal, meio nerd, e foi falar sobre a Revista piauí. Você lê a piauí? Não? Nem eu. Mas mesmo assim não boiei. O debate deu uma boa ideia de como é a revista. E sobre como o trabalho é desenvolvido lá.
Basicamente, lá é o lugar onde todo jornalista gostaria de trabalhar. Qualquer tema pode, teoricamente, dar matéria. Não há editorias fixas ou reunião de pauta. A única regra é que as entrevistas precisam ser presenciais: por telefone, e-mail ou sinal de fumaça não vale. E há um tempo considerável para se redigir o texto. Ele varia de dois dias a um ano, dependendo da complexidade do tema. E ele citou o exemplo do perfil da Dilma Rousseff, no qual o repórter passou quase quatro meses ligando todo dia pro escritório dela. E conversou com todo mundo que a conhecia. Até que ela resolveu dar entrevista. Não tinha nem como deixar de dar, ela concluiu obviamente.
Fiquei intrigada com ele. Não gosto de nada pomposo. Gosto de coisas simples. Práticas. De repente, ele me vem com “não gosto da expressão ‘jornalismo literário’. Prefiro ‘jornalismo narrativo’”. Para mim, os dois são o mesmo. Acredito que dizer que um filme é um “bom pipocão” é melhor que dizer “longa-metragem que respeita os parâmetros da tendência contemporânea de produções hollywoodianas”. Os dois querem dizer o mesmo? Sim! Qual é a diferença então?
A diferença está na forma, não no conteúdo. Isso o próprio Salles disse.
Porém…
O jeito como você apresenta a informação define o seu público. Isso sou eu que digo. No caso dele, uma revista com matérias longas e trabalhadas encontrou abrigo nos corações dos cults. Eu preferia que meu público fosse meio termo, nem rebuscado demais nem “boquinha na garrafa” demais. Nada contra nenhum dos dois, obviamente. É que eu sou uma pessoa mediana, sabe? E acho que os medianos teriam mais facilidade de se identificar comigo. Não sou escritora nem nada. Tô falando do Opperaa e do Mondo BHZ mesmo, pros quais escrevo.
Enfim, ainda estou na expectativa de que os sites emplaquem. Enquanto isso, admiro o Salles, por seu bom trabalho e o invejo por ter a autonomia financeira que tem. Ou seja: ele não precisa que a piauí dê certo para sobreviver. Nem precisa que seus filmes sejam assistidos pelas massas. Ele é um desses caras que acha que o dinheiro não é um objetivo e sim um meio. Discordo dele. Mais pra frente vocês entenderão o porquê.
Academia sorteia ingressos para o tapete vermelho dos prêmios Oscar
Caros poucos que me lêem,
este é meu post de despedida por um tempinho. Agora só volto à ativa a partir de 28 de setembro. Tirarei um tempinho de férias. Quem me conhece bem sabe porque.
Grande beijo em todos!
Fonte: EFE e Yahoo Notícias
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos informou na última quinta-feira que vai sortear 700 lugares nas arquibancadas que cercam o tapete vermelho pelo qual passarão os convidados à cerimônia da entrega dos prêmios Oscar de 2010, no teatro Kodak, em Los Angeles.
A partir das 9h locais da próxima segunda-feira (14h de Brasília), o portal da Academia abre as inscrições para o sorteio pelo endereço www.oscars.org/bleachers. O prazo para disputar as entradas termina às 21h locais do domingo seguinte (1h de segunda-feira em Brasília).
Os vencedores serão notificados no início de outubro e, em dezembro, receberão o convite oficial para ficar ao lado tapete vermelho da 82ª cerimônia de entrega dos prêmios Oscar, marcada para o dia 7 de março de 2010. Porém, os 700 sortudos acompanharão o evento pela televisão em um local próximo ao Teatro Kodak.
O convite será válido para até quatro pessoas independentemente de seu país de residência, mas a Academia só permitirá uma solicitação por grupo e não custeará as despesas de hospedagem ou transporte até Los Angeles.
O sorteio de entradas para o tapete vermelho começou a ser feito para a entrega dos prêmios Oscar em 2004. Desde então, a Academia recebe uma média anual de 20 mil solicitações. De lá até aqui, o número de assentos disponíveis dobrou.
OSCAR 2010 : Academia muda regras para Melhor Filme
Fonte: Cineclick
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood mudou as regras para eleger o dono da estatueta de Melhor Filme a partir de 2010. Agora, os votantes deverão eleger por ordem de preferência os dez melhores longas-metragens do ano; o mais popular não somente em número de votos, mas de preferência, ganhará o prêmio.
Em junho, a Academia já havia aberto as opções de cinco para dez os candidatos para a categoria Melhor Filme. Desta forma, é com o sistema de preferência que a Academia pretende tornar mais democrática e precisa a votação. “Ao invés de somente marcar um filme que o votante acredita ser o melhor, ele deverá marcar o segundo, terceiro e assim por diante”, explica o novo presidente da Academia, Tom Sherak, eleito em meados de agosto.
Este sistema era usado na premiação até 1945 e volta somente agora. Em 1934 e 1935, eram 12 os candidatos a Melhor Filme; de 1936 a 1943, foram dez os concorrentes; nos anos de 1944 e 1945, eram cinco, mas esse sistema ainda foi usado nesses anos.
Os indicados à 82ª edição do Oscar serão anunciados em 2 de fevereiro de 2010; a entrega dos prêmios da Academia ocorrem no dia 7 de março de 2010, no Kodak Theatre, em Los Angeles, com transmissão ao vivo para 200 países.
Globo vs Record – uma guerra privada com armas públicas
Publicado hoje no Blue Bus
Esse texto é do jornalista Rodolfo Viana, membro do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicaçao Social. Publicado originalmente no Observatorio do Direito à Comunicação.
“Não há mocinhos em nenhum dos lados da recente briga entre a TV Globo e a Rede Record de Televisão. Também não há mentiras nos ataques de uma contra a outra – os Marinho sempre tiveram uma relaçao espúria com o poder e a Record, uma interaçao promíscua com a Igreja Universal do Reino de Deus”.
“Mas o problema central nessa guerra é que estão guerreando com armas alheias. Estão guerreando com armas públicas. É ingenuidade de pouco eco crer que não existem interesses econômicos e ideológicos guiando os grandes grupos de comunicação do país. A comunicação de massa tem papel estratégico na organização social e criaçao de valores e a informação também sofre diversos tipos de manipulações, das mais explícitas – edições de texto/imagens, escolha das fontes, qualificações – às mais sutis – o que é silenciado, o ‘tom’ sobre o informado, as relações de uma notícia com outra, a ordem de apresentaçao”.
“É por isso que a luta pela democratização da comunicação não se restringe à criação de normas de conduta ao jornalismo hoje praticado, buscando a isenção e objetividade. Essa luta tem de visar a possibilidade de multiplicação de vozes, a multiplicação do que é informado e como é informado, permitindo ao cidadão obter mais dados sobre uma determinada realidade para que, com eles, forme seu juízo (…)”.

